Vai às copas sem ser fanático
O bancário aposentado Antônio Etelle dos Santos, 63 anos, viajou para assistir as duas últimas Copas, a da Itália, em 1990, e a dos Estados Unidos, em 1994, e já está com a passagem comprada para a França. Seu currículo de viagens futebolísticas também inclui um giro pelo Japão, para onde foi acompanhar a final do Campeonato Mundial Interclubes, entre o São Paulo e o Milan, há quatro anos. Sabendo disso, pode-se pensar que Santos é um fanático por futebol.
Puro engano. Eu gosto de futebol, mas o que me fez ir a estas Copas todas é a chance de viajar. As excursões são muito gostosas, diz. Conheço pessoas de todo o país e não fico sozinho - minha mulher não gosta de viajar e portanto não tenho compania. Da Copa da Itália, por exemplo, ele guardou como principal lembrança a visita que fez a cidade de São Francisco de Assis, e não nenhuma jogada de efeito. Quanto estiver na França, não me incomodarei de perder algum jogo para fazer um passeio diferente. Futebol agente pode ver todo o dia, pela televisão mesmo.
Ele só não ficará de fora, de jeito nenhum, da grande final. Uma final de Copa, com o Brasil jogando, é uma emoção indescritível. Até eu, que não sou muito fanático, me transformo, comenta. Ele não esquece as cenas do jogo final da Copa dos Estados Unidos, na qual o Brasil derrotou a Itália nos pênaltis. Foi uma das finais mais dramáticas da história e eu estava lá. Sofri muito mas no final a alegria compensou os momentos de verdadeiro terror que senti. Quando estava lá, na arquibancada, nada mais passava pela minha cabeça além da vitória do Brasil.





