Em Colombo, Ailton Gabriel Guarise, de 67 anos, também faz vinho para consumo da família e vende a produção excedente em casa mesmo. ''Meu pai nasceu aqui. Meu avô, que veio da Itália, tinha uma pequena cantininha e meu pai continuou. Era uma época que aqui em Colombo só tinha uva. A renda dos colonos era a uva.''
Nas décadas de 70 e 80, a produção da uva foi substituída pelo cultivo de hortaliças, em parte por causa da praga conhecida como ''pérola''. ''Cortei 3 mil pés de parreira para plantar chuchu. Agora já tenho parreira de novo. Está voltando a tradição antiga. Hoje é mais fácil viver de vinho que de hortaliça, Daqui a três ou quatro anos vai aumentar bastante'', avalia Guarise. Este ano, o produtor colheu 1,2 mil quilos de uva. E para o ano que vem a expectativa é chegar aos 3 mil quilos.
Descendente de italianos e poloneses Bernadete Scrobote, de 45 anos, é uma das que retomou a produção de uva e vinho recentemente em São José dos Pinhais. ''O paiol, que era do meu sogro, tem mais de 80 anos. Estava tudo ali desativado, parado, juntando pó. A pérola acabou com a plantação de uva'', conta. Em junho de 2000, ela e o marido Sedy Pissaia, de 73 anos, plantaram parreiras numa nova área e reativaram os equipamentos guardados.
''A primeira vez foi na máquina manual. No ano passado compramos uma máquina elétrica e no terceiro ano aumentamos a produção'', explica. Para Bernadete, fazer vinho é trabalhoso mas é uma das maneiras de sobreviver no campo. ''Não tem o que eu não gosto de fazer. Adoro o que eu faço. Sempre fui agricultora, não deixo de plantar meu milho, minha horta. A pessoa que está no campo e não faz várias coisas está morta.''
Pedro Hamilton Strapasson, de 51 anos, é um dos raros vinicultores artesanais de Colombo que nunca deixou de plantar a própria matéria-prima. ''Meu pai sempre teve parreira. Mesmo quando todo mundo começou a plantar verdura em Colombo meu pai ficou com a uva. Cortar um pé de parreira era como cortar um dedo dele'', lembra. Parte do parreiral mantido pela família de Strapasson tem 75 anos. ''A gente que é acostumada na lavoura e criou-se nisso, dificilmente pára porque cria amor por aquilo ali. Cria os filhos assim também, com esse amor. Os avós viveram a vida inteira nisso aí''. (D.R.)

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