Criada até os 17 anos em uma chácara próxima ao Lago Igapó, em Londrina, em meio a animais e árvores frutíferas, Roberta Silveira Queiroz transportou para a vida adulta sua ligação com o meio ambiente. Resultado: já no terceiro ano de Direito, ela havia decidido que profissionalmente iria atuar nesta área.
"Tenho verdadeira paixão pelo meio ambiente", diz Roberta. "Sabemos que o desenvolvimento econômico não vai parar; temos, então, de fazê-lo de modo sustentável", afirma.
Delegada da OAB no Conselho Municipal de Meio Ambiente (Consemma), Roberta Queiroz planeja montar uma equipe multidisciplinar - com profissionais de Química, Biologia, Engenharia, Segurança no Trabalho - para que seu escritório foque ainda mais um ramo que ela considera fundamental: o preventivo.
"O ideal, para as empresas, é evitar multas e outras sanções", aconselha Roberta. "Os empresários, de modo geral, precisam se conscientizar de que mais vale, se adequar à legislação e respeitar as normas ambientais, do que ficar lidando com defesas e recursos", explica ela, que depois da graduação fez um curso sobre mediação de conflitos ambientais na Alemanha.
O advogado Camillo Kemmer Vianna é outro exemplo de profissional que conseguiu, em sua carreira, unir o "útil" ao "agradável". Ainda durante a graduação, ele envolveu-se com uma entidade não-governamental - a ONG MAE - a fim de estudar o terceiro setor.
"Isso direcionou minha atuação", conta Vianna hoje, após nove anos de carreira. "É preciso que as empresas encarem eventuais gastos com o Direito Ambiental não como custo, mas como investimento", ele sugere. "Adotar um acompanhamento ambiental pode, muitas vezes, trazer resultado financeiro para as empresas."
Camillo Vianna afirma que, ao se envolver com o terceiro setor, criou uma variada carteira de clientes - ONGs, associações, fundações, entidades paras quais presta consultoria permanente através de uma atuação também preventiva. "Hoje, precisa-se de um parecer ambiental para quase tudo. Uma transação de imóvel rural, por exemplo, só se concretiza se a propriedade estiver regularizada. O campo de trabalho para o Direito Ambiental é muito promissor."

‘Um mercado em ascensão’
A advogada e professora universitária Vanya Senegalia Morete, coordenadora do curso de Direito Ambiental da Unopar, em Londrina, diz que se trata de um mercado em crescimento por conta da legislação mais rigorosa e de uma cobrança maior por parte da sociedade.

Como atuam os advogados ambientais?
Em duas áreas bastante distintas: preventivamente ou quando já existe o contencioso. Para o Direito Ambiental, interessa evitar o dano do que a reparação, que muitas vezes é insuficiente para o meio ambiente. Se ocorre, por exemplo, a extinção de uma espécie animal, como se vai reparar isso? É importante essa ação preventiva, que os advogados acompanhem a gestão das empresas para checar se o procedimento produtivo está respeitando a legislação. Em caso de danos, o poluidor pode sofrer sanções nas esferas cível, administrativa e penal, cumulativamente.

É um mercado em ascensão?
Sim, por dois motivos claros. A sociedade está cobrando que as empresas respeitem o meio ambiente em todo o processo criativo. Os empresários estão percebendo isso e, inclusive, usando o marketing ambiental para atrair consumidores. Concomitantemente, o ordenamento jurídico está mais exigente, além do que a fiscalização vem sendo cada vez mais efetiva por parte tanto de órgãos oficiais quanto de entidades não-governamentais.

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