A reclamação é geral. Os fins de semana no Parque Náutico do Iguaçu, em Curitiba, deixaram de ser uma opção segura de lazer há muito tempo. Em meio a famílias buscando diversão e crianças empinando pipas, vários carros disputam rachas, com motoristas consumindo bebidas alcoólicas e incomodando com o alto som. Frequentador do local, seo João (nome fictício), um pescador de 62 anos, prefere esconder o nome por medo de represálias. Ele afirma que já presenciou consumo de drogas e diversas brigas nos finais de semana, no parque. ''Sábado e domingo depois das 4 horas da tarde é perigoso, não dá pra ficar aqui não. Junta uns 50 carros, gente que nem sabe dirigir direito. Eles fazem muito barulho, ficam bebendo, enchem a cara e começam a fazer pega aqui, quase passando em cima das pessoas. Sem falar que quase sempre termina com alguma confusão'', relata.
Em alguns pontos da grama, ficam também as marcas de outro desrespeito: restos de embalagens de comida e bebida. Nos postes, pedaços de fios cortados revelam que falta segurança ao patrimônio do local. ''Você passa de noite com o carro aqui na rodovia e volta e meia vê gente pendurada em poste, cortando fios. E a pé ninguém se arrisca, porque morre de medo de ser assaltada com a escuridão'', conta uma moradora do bairro Alto Bacacheri, que fica próximo ao Parque. Ele recebe visitantes também de São José dos Pinhais, município próximo do local.
De acordo com o superintendente de Obras e Serviços da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Paulo Dalmaz, um projeto de revitalização do Parque já está em curso, com reforma dos banheiros e o corte e limpeza da grama. Sobre a segurança do local, o secretário afirma que é atribuição da Guarda Municipal cuidar do bem público do Parque. ''Estamos tentando combater o roubo de fios e de iluminação não só do Parque Náutico, mas de todos os outros parques da capital, mas é uma tarefa complicada. Até na Praça do Atlético, com um módulo de polícia ao lado, eles roubam'', revela.
Em relação aos rachas e excessos dos fins de semana, Dalmaz afirmou que está sendo elaborada uma operação de combate e fiscalização, com a participação de fiscais da secretaria de Meio Ambiente, Guarda Municipal, Diretran e Polícia Militar. '''É o mesmo trabalho que já fizemos nos Parques Barigui e Tanguá, locais que conseguimos resolver a situação. Agora já está planejada uma ação para breve no Parque Náutico'', promete.
Enquanto isso a população continua a reclamar. ''Sempre dizem que a prefeitura vai melhorar o parque, que vai ter mais segurança. Mas só vou acreditar quando realmente fizerem alguma coisa concreta'', dispara João, o pescador.

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