Usiminas quer atender as montadoras
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domingo, 28 de dezembro de 1997
Curitiba 
A Usiminas (Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais) está negociando a instalação de uma unidade de processamento de aço no mesmo local onde a Electrolux constrói uma terceira fábrica - no município de Fazenda Rio Grande (RM de Curitiba). A central de serviços servirá para atender as indústrias paranaenses e catarinenses.
A empresa mineira viria ao Paraná para ser fornecedora de placas de aço para a Electrolux, mas os planos da segunda maior siderúrgica do País vão mais além. A empresa quer atender o mercado das montadoras e também das empresas de compressores de Joinville (SC), como a Embraco e Weg. Hoje, a Electrolux e as fábricas catarinenses já compram o aço da Usiminas.
Por enquanto, a instalação se resume a um projeto. Temos um estudo para trazer um centro de serviço para o Estado, mas ainda não há a confirmação da diretoria, afirmou em novembro o gerente regional da empresa, Roseval Sanches. Na sede da Usiminas, em Belo Horizonte (MG), a diretoria de marketing disse que a empresa estuda a possibilidade de fazer o investimento. Sanches, no entanto, acrescentou que a empresa poderá investir até R$ 50 milhões para construir a central de serviços no Paraná.
A unidade paranaense seria responsável pelo recebimento das bobinas de aço da matriz. Ela faria também o processamento (corte e manufatura) das peças. Hoje, é a própria Electrolux que faz o corte das lâminas. A fábrica de geladeiras e freezers consome uma média anual de 80 mil toneladas de aço.
ImpulsoRinaldo Soares, presidente da Usiminas: programa pós-privatização é saudável e fará saltar a produção até 1999
O Sistema Usiminas, formado por 13 empresas, entre elas a Cosipa, chega a R$ 5 bilhões. Todo o sistema gera 35 mil empregos diretos e 210 mil indiretos. De acordo com o presidente, desde a privatização os funcionários vêm tendo uma participação nos lucros da empresa. No ano passado, foram divididos R$ 20 milhões entre os trabalhadores e o lucro líquido da empresa, depois de descontada a participação paga aos funcionários e o imposto de renda, ficou em R$ 332 milhões.
A Usiminas está com uma política de investimentos na região sul do País. Em outubro, a siderúrgica associou-se com a Brasinca Minas S.A e com a A.G. Simpson do Brasil Ltda para atender a fábrica da General Motors em Gravataí (RS).
O investimento no Rio Grande do Sul é de R$ 100 milhões. A Usiminas fornecerá peças estampadas de aço e conjuntos para fabricação de veículos. O início da produção será em fevereiro de 99. A empresa vai gerar 170 novos empregos.
O gerente da Divisão de Compras da Electrolux, Arnaldo Damaso, disse que a fábrica em Fazenda Rio Grande ficará pronta dentro de dois anos. A Usiminas fornecerá aço para os gabinetes e parte externa dos freezers e geladeiras que a empresa produzirá, afirmou. Ele afirmou que a Usiminas negocia com o governo do Estado a possibilidade de trazer a matéria-prima através do Porto de Paranaguá.
Ampliação Em Minas, a Usiminas vai ampliar a produção de aço para atender a demanda das novas fábricas da indústria automobilística, como a Renault no Paraná, a Mercedes-Benz em Minas Gerais e a Honda em São Paulo. A informação é do diretor-presidente da empresa, Rinaldo Campos Soares, que esteve em Curitiba falando a empresários do setor sobre A Usiminas depois da privatização.
De acordo com Soares, a Usiminas vai investir US$ 500 milhões para ampliar em 600 mil toneladas por ano a produção de laminados a frio, matéria-prima para a indústria de automóveis. Com isso, a produção vai passar das atuais 800 toneladas por ano para 1,4 mil toneladas até 1999. A partir daí, a meta é ampliar para 2 mil toneladas.
Só a Renault do Paraná deverá absorver 50 mil toneladas de aço por ano apenas na fabricação das carrocerias dos veículos. Somando a demanda das autopeças, sobe para 70 mil toneladas, o que vai representar um negócio de US$ 40 milhões por ano.


