Desde pequena, Rafaella Powidayko carrega a determinação como uma de suas características principais. ‘‘Normalmente, quando eu quero uma coisa, eu consigo’’, explica a futura estilista de 21 anos. Ela, que acaba de apresentar o trabalho de conclusão do curso de Moda da Universidade Estadual de Londrina (UEL), agora projeta suas forças para um novo desafio: conquistar espaço nas passarelas paulistanas. O primeiro passo é conseguir entrar para o Amni Hot Spot (para novos talentos), por onde já passaram nomes como Erika Ikezili, Samuel Cirnansck e Fabia Bercsek, que hoje apresentam suas coleções na São Paulo Fashion Week (SPFW), maior evento de moda do País.
  Aliás, a própria SPFW está nos planos de Rafaella, mas são a longo prazo. Quem a conhece (e também o seu trabalho) sabe que isso pode realmente acontecer em alguns anos. Melhor mesmo não duvidar. Afinal, em quatro anos de curso foram quatro participações em concursos, conquistando duas vitórias e um prêmio especial. O primeiro lugar no Fiep-Canatiba, promovido pelo Sindicato do Vestuário de Maringá (Sindvest), teve o aval do consultor Carlos Ferreirinha, responsável pela implantação bem-sucedida Louis Vuitton no Brasil. Ferreirinha foi um dos jurados do concurso realizado no início de novembro e não poupou elogios ao trabalho de Rafaella. ‘‘Só de ter tido esse contato já foi um prêmio’’, explica.
  Criada entre tecidos e linhas, Rafaella viu a mãe passar de tricoteira artesanal à dona da própria confecção. Apesar de crescer brincando com cones de linhas e lãs, ela resolveu contrariar todas as previsões óbvias. Aos 12 anos, a jovem decidiu que iria cursar farmácia. Chegou até a prestar vestibular para o curso. Mas depois resolveu voltar às origens. ‘‘Graças a Deus que mudei. Eu não seria feliz se tivesse feito farmácia ou qualquer outra coisa’’, constata.
  No final de novembro, Rafaella apresentou seu trabalho de conclusão de curso (TCC) e como é de praxe, também mostrou um desfile. A platéia conheceu então a Rafizella, marca criada para pré-adolescentes. A idéia é transformar a grife até então fictícia em algo real. Tão real quanto a vontade da estilista em se mudar para São Paulo no ano que vem e também passar uma temporada estudando fora do País.
  ‘‘O que eu ganhei nos concursos guardei para poder viajar’’, conta a estilista, que tem reunido informações sobre cursos na Itália e na Inglaterra. A mudança para São Paulo não deve acontecer antes do segundo semestre do ano que vem. ‘‘Preciso me preparar antes’’, conta Rafaella. É que há um ano ela é responsável pelas criações da grife da mãe, a Nubia. ‘‘Vou continuar desenhando, mas vou precisar de uma equipe para ficar aqui’’, diz.
  Apesar da mesa polvilhada de brinquedos e mimos infantis, Rafaella, que adora esse lado lúdico, cria modelos que fazem a cabeça de mulheres entre 28 e 50 anos. Algo totalmente diferente do que desenha para a Rafizella. Mas isso não é problema para uma mente tão criativa como a dela. ‘‘Eu me adapto’’, avisa. Só que ela garante que não vai perder o lado fofinho e meigo das suas peças. ‘‘Essa é a minha essência’’, reconhece. ‘‘O estilista agrega valor às suas criações quando é reconhecido pela sua essência’’, ensina.
  Para dar conta tanto do TCC quanto do concurso, Rafaella passou noites em claro. Não porque é daquelas que deixam tudo para a última hora, mas sim porque ela estava sempre querendo mais. ‘‘Nunca estou satisfeita’’, confessa a garota, que foi bombardeada por elogios feitos pela banca examinadora depois do desfile. A tendência para os próximos verões da estilista? Sucesso e muitas conquistas. ‘‘Visualizar o que a gente quer já é um passo na direção certa’’, afirma.


Por que Rafaella é uma promessa?
‘‘Ela sempre foi muito dedicada e compromissada e é apaixonada por tudo que faz. Pesquisa muito e descobre possibilidades de inovação. Disciplinada, estabelece metas e cumpre. Na UEL, há um direcionamento para o design e a preocupação em canalizar a criatividade de forma estruturada. A Rafaella é um exemplo do raciocínio projetual.’’
Maria Celeste Sanches, professora do curso de Moda da UEL e orientadora de Rafaella

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