Maria Cleuza Lima Marçal, moradora e comerciante do Conjunto do Maria Cecília, descobriu que sonhos sonhados juntos também existem e podem ser concretizados. Entusiasta do projeto da Fiep, do qual participa desde abril do ano passado, ela conta que, além da Biblioteca Virtual, a comunidade se uniu e realizou ações tão simples quanto eficientes como campanhas de prevenção às drogas e contra a dengue e a revitalização da praça do bairro.
''A biblioteca é um sonho, um progresso muito grande porque é a própria comunidade que está cuidando'', valoriza. Para ela, o projeto já deixou uma lição importante: ''Se a gente se unir, a gente pode fazer muitas coisas. É importante ter consciência disso. É só botar a mão na massa'', garante.
Cleuza nunca participou da associação de moradores, mas acredita que este tipo de organização comunitária estava desgastado no bairro. ''Se você fala que é de associação, todo mundo já se afasta achando que você vai ser candidato'', justifica.
O monitor Marcos Cruz diz que a biblioteca virou ponto de encontro de crianças e idosos que não têm acesso à internet em casa e confirma que ''a comunidade está querendo deixar de depender só do governo e começa a encarar a iniciativa privada como parceira''. Por isso, ele adianta que a partir de janeiro serão realizados cursos oferecidos pelo Sebrae, como de informática e o da Mulher Empreendedora.
A articuladora da rede, Gislane Aparecida de Syllos, cita que o projeto começou em abril do ano passado em 85 bairros de Londrina, mas só vingou em 22. ''A experiência mostra que onde predomina o assistencialismo e onde há rivalidade política entre líderes comunitários, o trabalho não avança'', justifica Gislane. Ela explica que a situação ocorre independentemente do nível sociocultural, já que o projeto é realizado em bairros de classe média alta, como o Centro e o Jardim Petrópolis, e nos mais pobres, como os distritos rurais. (N.B)

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