Curitiba - Tenho 27 anos. Neste tempo todo não tive problema algum com meus pés, além de ter fraturado os dois, fruto de uma infância serelepe. Há duas semanas meu dedão começou a doer. Mas doer muito. Aprendi a cortar as unhas da única forma para machões como eu. Sozinho. Como sou leigo em estética das unhas, não sabia o que fazer. Contei para uma porção de gente sobre minha dor, entre elas algumas amigas. Todas foram enfáticas. É unha encravada.
Que desgraça. Achei que era coisa de menina ter unha encravada. Me enganei. E dói. Muito. E como resolver? Passou um dia. O dedão do meu pé direito estava meio vermelho. Segundo dia e estava inchado. No terceiro, resolvi definir a situação e matar o mal pela raíz.
Peguei o tal de alicate de unha e cravei a ponta embaixo dela. Poucas vezes senti tamanha dor. E nem sou exagerado. Uma semana depois, o dedão estava muito inchado. Eu esganava o dedão. Saía pus.
E cada vez que tentava resolver o problema, a dor aumentava. Água quente com sabão. Água oxigenada, Iodo, nada adiantou. Enquanto isso, as mesmas moças me orientaram a ir em uma clínica de podologia. Depois de duas semanas, muitas caminhadas com sapatos apertados, tropeços, chutes em falso, pisões, eu fui. Neste tempo percebi com mais clareza e dor como as pessoas pisam no meu pé e como eu tropeço sem perceber.
Enfim, encontrei uma podóloga simpática e disposta a desencravar minha unha inflamada e cheia de pus. Quarenta e cinco reais mais pobre e vinte minutos depois, já estava com o problema resolvido. Ela abriu um pacote lacrado cheio de espátulas e alicates. Achei que fosse perder o dedão, mas ela apenas passou um instrumento parecido com um bisturi em cima da unha e puxou um pedaço dela com um alicate. Estava livre da dor.
Tenho um primo que é um ano mais velho que eu e ainda pede para a mãe cortar a unha dele. Credo. Que coisa mais esquisita. Nesta idade. Pudera, ela ainda o serve nas refeições. Deveria ter seguido o exemplo dele. Acho que minha mãe sabe cortar a unha.

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