Vânia Moreira Umuarama
Ponto convergente de uma região de 32 municípios e mais de 300 mil habitantes, aos 44 anos, que completa hoje, Umuarama é uma das cidades de porte médio que atraem quem quer fugir do trânsito, da insegurança e da correria das grandes metrópoles. Oferece boa infra-estrutura urbana e boas oportunidades de trabalho, mesmo para profissionais especializados, com a qualidade de vida de uma cidade com baixos índices de criminalidade, muito espaço e muito verde. Os visitantes costumam se admirar da organização e conservação urbanas, as ruas e avenidas espaçosas, a quantidade de praças e a arborização, características das cidades planejadas e fundadas pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná.
Umuarama encontrou o caminho para o desenvolvimento econômico ao promover a integração agricultura-pecuária e consolidar um parque industrial variado. Sua economia não está mais ancorada numa única atividade agrícola, a pecuária, que prevaleceu durante muito tempo. O cultivo de grãos começa a ganhar mais espaço para distribuir renda e multiplicar as oportunidades de negócios e serviços. O setor industrial está em expansão. Umuarama se firmou também como centro de referência em ensino universitário e medicina.
‘‘Forasteiros’’ O tenente do Exército Elismar Santos Lima, 49 anos, é um dos muitos ‘‘forasteiros’’ que chegaram a Umuarama para cumprir um período de trabalho e acabou ficando. Comandante do Tiro de Guerra, quando teve de optar em ir para Curitiba ou Porto Alegre, preferiu se aposentar e continuar vivendo aqui. ‘‘Fiz muitas amizades aqui. A cidade faz jus ao slogan Capital da Amizade’’, diz. Cursou a Faculdade de Direito e seu filho mais novo, Rodrigo, de 5 anos, nasceu em Umuarama. ‘‘A cidade me conquistou e pretendo passar o resto da minha vida aqui’’.
O casal de médicos veterinários José Ricardo Pachaly e Elza Maria Galvão Siffoni é outro exemplo do que Umuarama pode oferecer. Doutor, especialista em animais silvestres, Pachaly (foto) deixou Curitiba e a Universidade Federal do Paraná no final do ano passado para se mudar para Umuarama e trabalhar na Universidade Paranaense (Unipar). O casal entusiasmou-se com a tecnologia de ponta e as condições de trabalho e pesquisa oferecidas pelo Departamento de Medicina Veterinária da Unipar.
‘‘Lugar de amigos’’ Umuarama foi fundada em 26 de junho de 1955 pelos diretores da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná Gastão de Mesquita Filho e Hermann Moraes de Barros. Dono de parte dos 42 mil alqueires comprados pela companhia para fundar a nova a cidade, o fazendeiro Raimundo Durães foi quem sugeriu o nome Umuarama - de origem tupi que significa ‘‘lugar onde se reúnem os amigos’’. No início distrito de Cruzeiro do Oeste, emancipou-se em 25 de julho de 1960. A cafeicultura foi o suporte de desenvolvimento do município até 1975.
Depois da ‘‘geada negra’’, que dizimou os cafezais naquela ano, Umuarama viu grande parte de sua população rural migrar para a cidade ou para outras regiões. Até meados de 75, mais de 70% da população vivia no campo. Vinte anos depois, a situação se inverteu. Hoje quase 80% dos habitantes estão na cidade. O boi ocupou o lugar do homem no campo, surgiram os grandes latifúndios e o desafio da geração de empregos para absorver a mão-de-obra ociosa na cidade e conter a migração.
O município conseguiu encontrar um novo rumo: industrializou-se e a pecuária, que chegou a ocupar 70% das terras agricultáveis, começa a ceder espaço à soja e outras culturas anuais. Entretanto, ainda permanece como a principal atividade agrícola. Umuarama tem o maior rebanho bovino do Paraná, cerca de 1, 5 milhão de cabeças.
De acordo com a estimativa feita em 98 pelo IBGE, Umuarama tem hoje aproximadamente 86,2 mil habitantes e um território de 1.633 quilômetros quadrados. Já chegou a ter 110 mil habitantes, mas perdeu terreno e população com o desmembramento dos três maiores distritos; Ivaté, Vila Alta e Perobal.
Apesar dos avanços, Umuarama ainda enfrenta muitos problemas, comuns a todas a cidades de igual porte. Ainda existe muito desemprego, falta de qualificação profissional, favelas, deficiência de saneamento básico e bairros sem infra-estrutura, mas a comunidade é solidária, participativa e se une à administração municipal para tentar vencer os desafios e melhorar a qualidade de vida de todos os cidadãos. O maior desafio continua sendo criar novas oportunidades de trabalho na cidade e no campo. A condição de pólo regional atrai muitos trabalhadores que deixam o campo e as cidades menores, em busca de novas oportunidades.

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