Não foi sem uma dose de insistência que a reportagem da FOLHA conseguiu entrar na comunidade das Doze Tribos em Campo Largo. Como tudo é decidido coletivamente, a visita levou cerca de um mês para ser autorizada.
O sítio, de fácil acesso, fica a menos de 20 minutos de Curitiba. Chegando lá, fomos recebidos por Benyah e encaminhados para a casa central. Ali, uma senhora nos serviu o chá que eles mesmo produzem e um bolo de gosto forte.
Não fosse pelo entra-e-sai da criançada e a música étnica que tocava no aparelho de som, o silêncio reinaria no lugar. Nem a construção de uma nova casa, a poucos metros, parecia atrapalhar aquela calmaria.
Terminado o papo com Benyah, Shoresh e Dodavah (que passavam pela sala e aceitaram contar suas histórias), fomos levados para um giro pela propriedade. Tudo muito simples e rústico, a começar pelo quartinho que serve de sala de aula para os pequenos.
Também conhecemos a oficina, onde um grupo trabalhava com velas aromáticas e sandálias de couro. A fábrica de chás ficou para outro dia, pois está instalada em Rondinha, a poucos quilômetros dali.
Visitamos, ainda, uma morada no fim do terreno, próxima de um barranco. Era, até o dia anterior, o canto de Shoresh, que agora dorme com a família em um quarto da casa central. A estrutura? Cama de casal, berço e estante. O banheiro fica do lado de fora.
Antes de voltarmos para a redação, o grupo posou para uma última foto e nos convidou para almoçar. O cheiro da comida estava ótimo, mas tivemos de recusar por conta de nossos horários ''apertados''. Quando já estávamos no carro, a mesma senhora que nos serviu o lanche veio correndo entregar um pão caseiro de presente.
Na estrada, foi impossível não refletir sobre a rotina louca da cidade, a eterna pressa do jornalismo e os nossos filhos - que, ao contrário das crianças da comunidade, não estavam com os pais. (O.G.)

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