Mais da metade da vida de Teodoro Vitalino, 63 anos, foram vividos dentro de uma fábrica de bilhar. Nascido em Piranji, uma pequena cidade do interior de São Paulo, Vitalino chegou a Jaguapitã em 1951, passando boa parte da infância vendo os pais trabalharem na roça. Aos 23 anos, conseguiu o primeiro emprego fixo na Cruz & Vieira Norte. Desde então entrou, definitivamente, para o mundo do bilhar. Já até tentou sair, mas o destino quis que ele voltasse.
Hoje Vitalino contabiliza 36 anos dedicados à construção e reforma de mesas de bilhar. ''Foi o que eu aprendi a fazer. Gosto de mexer com madeira'', explica. O tempo de vida dedicado à atividade, enquanto não se aposentar, é maior até do que os 34 anos de casamento, que lhe renderam quatro filhas estas, por ironia, sem nenhuma relação profissional com o segmento de jogos.
Quase quatro décadas de vida dedicadas à marcenaria renderam a Vitalino uma vida de pouco luxo, mas de tranquilidade. Afinal, não é fácil sustentar uma família com seis pessoas. Por isso mesmo, ele tentou, há alguns anos, diversificar as atividades. Chegou a mudar-se para Foz do Iguaçu, onde procurou um novo emprego, que lhe rendesse mais. Acabou vivendo de bicos, por cerca de quatro anos. Os serviços, quem diria, na grande maioria, eram de reformas de mesas de bilhar.
Vitalino voltou a pouco tempo para Jaguapitã, em busca de um emprego com registro em carteira. Afinal, um homem de 63 anos, apesar de estar na melhor idade, já precisa pensar em se aposentar. Procurou, procurou... e encontrou. Na Cruz & Vieira Norte. ''Pareço um jogador de futebol. Comecei a vida profissional, saí do clube que me revelou, passei alguns anos fora e agora, volto para casa para poder encerrar minha carreira''.(A.M.)

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