Curitiba - Figura carismática e respeitada entre religiosos, políticos e pessoas da comunidade, o arcebispo da Arquidiocese de Curitiba, dom Pedro Fedalto, só não irá deixar saudades porque sua saída do cargo não representará, necessariamente, o abandono de seu trabalho junto à comunidade católica da capital e região metropolitana. Até o dia 18 de junho, dom Pedro Fedalto exerce a função de administrador apostólico, com praticamente os mesmos poderes de arcebispo. A partir dessa data, ele passa a ser um dos 126 arcebispos eméritos do Brasil.
A renúncia do cargo compulsória aos arcebispos ao completarem 75 anos de idade foi anunciada, oficialmente, esta semana. O pedido foi encaminhado ao Papa João Paulo II há quase três anos, mas só agora foi confirmado, com a nomeação de dom Moacyr José Vitti, bispo diocesano de Piracicaba (SP), de 63 anos, que assume o lugar de dom Pedro Fedalto.
Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto irá completar 78 anos, no dia 11 de agosto. Ingressou na vida sacerdotal há mais de 50 anos. O religioso foi ordenado sacerdote em 6 de dezembro de 1953, pelo então arcebispo metropolitano dom Manuel da Silveira D'Elboux. Na mesma cerimônia, realizada na Catedral de Curitiba, foram ordenados dom Albano Bortoletto Cavallin, arcebispo de Londrina, dom Antônio Agostinho Marochi, bispo emérito de Presidente Prudente (SP), monsenhor Francisco Gorski, ex-pároco do bairro Água Verde, em Curitiba, e monsenhor João Augusto Sobrinho, ex-pároco da Igreja dos Passarinhos, no bairro Bigorrilho, também em Curitiba (os dois últimos já falecidos).
Em um artigo publicado à época da comemoração de seu jubileu sacerdotal, dom Pedro Fedalto conta que todos eram colegas do Seminário de São José de Curitiba, onde completaram os estudos do primeiro grau, que terminava no 5º ano, e do ginásio que, à epoca, era feito em seis anos. Em 1947, foi designado para fazer Filosofia e Teologia no Seminário Central da Imaculada Conceição do Ipiranga, em São Paulo, acompanhado de dom Albano Cavallin e monsenhor João Augusto Sobrinho. No ano seguinte, dom Agostinho Marochi e monsenhor Francisco Gorski também foram encaminhados ao mesmo seminário.
A frase que ficou marcada em sua memória, quando ordenado padre, relatou Dom Pedro Fedalto foi: ''o padre é outro Cristo para ensinar aos homens as verdades do Evangelho''.
A nomeação de dom Pedro Fedalto como bispo auxiliar se deu 13 anos depois de sua ordenação como padre, em 23 de maio de 1966. Apesar da surpresa e do ''medo'', o cargo foi ''providencial'' para a perseverança em sua vocação sacerdotal. ''Dom Manuel (da Silveira D'Elboux) foi verdadeiro pai, um continuador em minha formação. Depois de Deus, devo a dom Manuel o que sou. Foi meu melhor mestre. Ensinou-me a ser padre e bispo''.
Dom Pedro Fedalto relata que a partir da nomeação como bispo auxiliar aprendeu a se relacionar com as pessoas, sobretudo com os padres, ''com mansidão e paciência, como ensinava São Francisco de Sales''. Três meses depois, em 28 de agosto de 1966, foi ordenado bispo.
Em 23 de dezembro de 1970, o Núncio Apostólico Dom Umberto Mozzoni uma espécie de embaixador do Vaticano no Brasil comunicou a dom Pedro Fedalto que ele havia sido nomeado Arcebispo de Curitiba pelo Papa Paulo VI. A nova nomeação também o surpreendeu, pois além do pouco tempo como bispo auxiliar, tinha pouca idade para o cargo de arcebispo (44 anos). Dom Pedro Fedalto foi empossado arcebispo da Arquidiocese de Curitiba em 28 de fevereiro de 1971.
Nos 50 anos de vida sacerdotal, dos quais 33 dedicados ao arcebispado, dom Pedro Fedalto pôde acompanhar as transformações da Igreja Católica, o que, para ele, representaram um grande avanço na aproximação dos religiosos com as comunidades no mundo inteiro. O fato das missas passarem a ser rezadas no idioma de cada país e não mais em latim como era antes foi um dos exemplos citados por dom Pedro.
Sobre a imagem de conservador que muitos têm a seu respeito, dom Pedro Fedalto respondeu: ''sou tão conservador quanto Jesus Cristo'', emprestando uma frase de dom Élder Câmara, também tido conservador. ''Eu não vejo um bispo que seja totalmente conservador ou progressista. Tem que haver equilíbrio'', declarou. Para ele, o bispo deve se recolher para fazer suas orações, mas tem que estar, também, perto dos pobres e favelados. Dom Pedro Fedalto disse que sempre visitou asilos, orfanatos, hospitais e favelas de Curitiba.

mockup