Uma tarde no Jockey Club do Paraná
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quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Nem todo mundo foge de Curitiba nos feriados. No dia 12 de outubro, dezenas de pessoas foram ao Jockey Club do Paraná, localizado no Tarumã, para passar a tarde. Por causa do feriado, começamos os páreos às 14 horas. As corridas são sempre às sextas-feiras, mas em dias normais iniciam no final da tarde, explicou Cézar Augusto Paula, secretário da Comissão de Corridas do clube.
Ele destacou que o horário diferenciado propiciou a vinda de famílias e de muitas pessoas que não costumam freqüentar o Jockey Club. Nas sextas-feiras normais, não vem tudo isso de gente, disse o secretário, apontando para o parquinho cheio de crianças e o movimento entre as arquibancadas e o setor de apostas.
De fato, naquela tarde muita gente foi pela primeira vez ao Jockey Club, como a estudante Thaynara Gaston. Viemos em família e com amigos. Uns amigos do meu pai o convidaram, a idéia surgiu do nada. Está sendo bem legal, afirmou a jovem.
O soldador David Roger de Jesus, que freqüenta o clube, percebeu o aumento da movimentação. Do portão de entrada já senti a diferença. Tem bastante criança, comentou. David de Jesus estava acompanhado da esposa, Liziane, e do filho Vitor, de dois anos. Venho sempre aqui porque tenho um amigo que trabalha como treinador. Mas esta é a primeira vez que trazemos o Vitor ao clube. Viemos para mostrar os cavalos para ele, explicou o soldador.
É claro que os apostadores de carteirinha marcaram presença. A programação incluiu 11 páreos, sendo que três eram provas preparatórias para o Grande Prêmio Paraná, mais importante competição do Estado. De acordo com Cézar Paula, no dia de corridas anterior, os páreos do Jockey Club do Paraná haviam somado R$ 212 mil. No feriado, o movimento superou os R$ 300 mil (segundo o secretário, apostadores de fora podem fazer apostas nos páreos do clube através de pontos autorizados, sistema concentrado na central de dados do Jockey Club de São Paulo).
O primeiro páreo deu zebra. Quem apostou no ganhador ganhou R$ 12,90 para cada real apostado, disse Cézar Paula. Quando foi entrevistado pela Folha, o veterinário Antônio Lopes da Costa fazia sua segunda aposta do dia. O máximo que eu gasto no período é uns R$ 20. A maior quantia que já ganhei foi há uns oito meses, quando levei R$ 2,5 mil, relatou Costa.
Ele apontou que pegou o hábito de ir ao Jockey Club do Paraná há quatro anos. Diz que não é um apostador compulsivo. Esse é um jogo para distrair, para vir com a família, ficar conversando com os amigos, comentou.
O aposentado Luiz Cardoso disse que vem ao Jockey Club do Paraná há 57 anos. Mesmo vindo em todos os dias de páreos, ele também não é de gastar muito. Faço aposta só para matar a vontade, no máximo uns R$ 50 no dia, afirmou o aposentado, que em 1998 chegou a ganhar R$ 3 mil num período. No clube, Cardoso se sente em casa. Me dou com os jóqueis, conheço todo mundo aí, garantiu.
Ele considerou saudável a idéia do Jockey Club de antecipar o início dos páreos no feriado. Para Cardoso, iniciativas como essa servem para aproximar a comunidade do clube. Por um tempo, o Jockey Club ficou esquecido. Dias como esse (o feriado) são importantes porque trazem gente nova. Eu acredito que o próximo verão vai ser muito lindo, mais gente vai aparecer, finalizou o aposentado.


