Nem todo mundo foge de Curitiba nos feriados. No dia 12 de outubro, dezenas de pessoas foram ao Jockey Club do Paraná, localizado no Tarumã, para passar a tarde. ‘‘Por causa do feriado, começamos os páreos às 14 horas. As corridas são sempre às sextas-feiras, mas em dias normais iniciam no final da tarde’’, explicou Cézar Augusto Paula, secretário da Comissão de Corridas do clube.
  Ele destacou que o horário diferenciado propiciou a vinda de famílias e de muitas pessoas que não costumam freqüentar o Jockey Club. ‘‘Nas sextas-feiras ‘normais’, não vem tudo isso de gente’’, disse o secretário, apontando para o parquinho cheio de crianças e o movimento entre as arquibancadas e o setor de apostas.
  De fato, naquela tarde muita gente foi pela primeira vez ao Jockey Club, como a estudante Thaynara Gaston. ‘‘Viemos em família e com amigos. Uns amigos do meu pai o convidaram, a idéia surgiu do nada. Está sendo bem legal’’, afirmou a jovem.
  O soldador David Roger de Jesus, que freqüenta o clube, percebeu o aumento da movimentação. ‘‘Do portão de entrada já senti a diferença. Tem bastante criança’’, comentou. David de Jesus estava acompanhado da esposa, Liziane, e do filho Vitor, de dois anos. ‘‘Venho sempre aqui porque tenho um amigo que trabalha como treinador. Mas esta é a primeira vez que trazemos o Vitor ao clube. Viemos para mostrar os cavalos para ele’’, explicou o soldador.
  É claro que os apostadores de carteirinha marcaram presença. A programação incluiu 11 páreos, sendo que três eram provas preparatórias para o Grande Prêmio Paraná, mais importante competição do Estado. De acordo com Cézar Paula, no dia de corridas anterior, os páreos do Jockey Club do Paraná haviam somado R$ 212 mil. No feriado, o movimento superou os R$ 300 mil (segundo o secretário, apostadores de fora podem fazer apostas nos páreos do clube através de pontos autorizados, sistema concentrado na central de dados do Jockey Club de São Paulo).
  ‘‘O primeiro páreo deu zebra. Quem apostou no ganhador ganhou R$ 12,90 para cada real apostado’’, disse Cézar Paula. Quando foi entrevistado pela Folha, o veterinário Antônio Lopes da Costa fazia sua segunda aposta do dia. ‘‘O máximo que eu gasto no período é uns R$ 20. A maior quantia que já ganhei foi há uns oito meses, quando levei R$ 2,5 mil’’, relatou Costa.
  Ele apontou que pegou o hábito de ir ao Jockey Club do Paraná há quatro anos. Diz que não é um apostador compulsivo. ‘‘Esse é um jogo para distrair, para vir com a família, ficar conversando com os amigos’’, comentou.
  O aposentado Luiz Cardoso disse que vem ao Jockey Club do Paraná há 57 anos. Mesmo vindo em todos os dias de páreos, ele também não é de gastar muito. ‘‘Faço aposta só para matar a vontade, no máximo uns R$ 50 no dia’’, afirmou o aposentado, que em 1998 chegou a ganhar R$ 3 mil num período. No clube, Cardoso se sente em casa. ‘‘Me dou com os jóqueis, conheço todo mundo a풒, garantiu.
  Ele considerou saudável a idéia do Jockey Club de antecipar o início dos páreos no feriado. Para Cardoso, iniciativas como essa servem para aproximar a comunidade do clube. ‘‘Por um tempo, o Jockey Club ficou esquecido. Dias como esse (o feriado) são importantes porque trazem gente nova. Eu acredito que o próximo verão vai ser muito lindo, mais gente vai aparecer’’, finalizou o aposentado.

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