Uma semana de planos
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quinta-feira, 25 de dezembro de 1997
Elisa Marilia Carneiro 
Arquivo FolhaA atriz Lala Schneider já está com o ano novo bem programado e vai fazer seu primeiro cruzeiroNatal e Ano Novo proporciona um sentimento de renovação anunciado pela explosão de fogos de artifício e que é sentido no mundo inteiro. A concentração de sentimentos voltados ao interior de cada um é exteriorizada na alegria da chegada de mais um ano.
Os curitibanos estão passando o Natal com a família e o Ano Novo com os amigos. Muitos se preparam para receber os que vêm de longe e proporcionar uma ceia agradável. Depois é só transferir o tumulto da organização para o Réveillon, que pode tanto ser na praia como no interior.
Arquivo FolhaO urbenauta Eduardo Fenianos conhece um Natal diferente com as famílias descendentes de imigrantes
De qualquer forma, a lavagem do corpo e da alma deve ser sentida na volta ao trabalho e à rotina do dia-a-dia. Quem se programou para alguma coisa diferente vai fazer o enxoval dos bebês que chegam, transferir o Natal de casa, trabalhar até o dia 24 de dezembro, ler um bom livro, procurar um lugar de descanço, pensar no que fazer em 1998...
1998 - Afinal é um ano par, comemora a atriz Lala Schneider, que garante serem melhores. Para ela a ceia vai ser com os sobrinhos e sobrinhos netos. O Ano Novo, em Guaratuba. Mas para começar o ano vou fazer o primeiro cruzeiro da minha vida. Lala vai para Fernando de Noronha. Com a disposição de uma menina, a atriz pretende ver golfinhos, tartarugas e nadar nas águas límpidas do oceano.
DESCANÇO - A nossa querida poetisa Helena Kolody garante que vai passar o Natal repousando. Aos 85 anos e com problemas circulatórios, a poetisa só quer saber de solidão, sossego e silêncio, os três esses como ela mesma define.Para poder sonha. Sou de natureza muito agitada e por recomendação médica, vou aproveitar estes dias para descansar. Se fico em Curitiba, não tenho como relaxar, reclama. Tenho que aprender a ser serena.
TRABALHO - Para o escritor paranaense Cristóvão Tezza a semana será de muito trabalho. Tezza lança em março de 1998 um novo romance, ainda sem título, pela Editora Rocco. Da mesma forma, vai passar o fim-de-ano trabalhando, o alpinista Waldemar Niclevicz.
Arquivo FolhaÀs vésperas do maior desafio de sua carreira, Waldemar passa as festas estudando as montanhas mais perigosas do mundo
Fico no grupo comum. Trabalho até o dia 24, passo o Natal com a família em Curitiba e o Ano Novo, na Ilha do Mel com amigos. Waldemar conta que gostaria de ir para algum lugar que ainda não conhece. Há seis meses planejo ir até Fortaleza mas ainda não consegui tempo para planejar o lazer, disse.
Ainda sem patrocínio para a próxima escalada, Pio como é chamado pelos amigos, se dedica, neste fim-de-ano, a fazer palestras motivacionais para empresas. Ele faz analogias com o que tem que enfrentar nas montanhas com o dia-a-dia dos escritórios.
Isso envolve planejamento estratégico, espírito de equipe, liderança e gerenciamento de riscos, esclarece. Para quem está sentindo uma tormenta se aproximando, Waldemar sugere paciência até que tudo volte ao normal. Não há outra coisa a fazer.
BARRIGA - A jornalista Bia Moraes, grávida de gêmeos, resolveu comemorar o Natal em torno da barriga. Com o marido e as duas filhas, vai receber cerca de 20 pessoas para a ceia de Natal. Depois que os bebês nascerem não vou ter tempo para mais nada, argumenta.
Como não pode ir muito longe, Bia vai passar o Réveillon numa pousada em Campina Grande do Sul. Este ano estou sendo uma dona-de-casa de fim-de-ano exemplar, define. O quarto dos gêmeos já está pronto, as comprar de Natal em dia, cortinas, tapetes e cobertores lavados, além de todos os consertos elétricos e hidráulicos resolvidos. Estou curtindo essa espera mais do que imaginava.
NA RUA - Um Natal diferente vai ser mesmo o do urbenauta Eduardo Fenianos. Hoje, ele está comemorando o 84º dia de andanças pelas ruas da cidade. Para não ficar sozinho, a família de Eduardo festejou o Natal na casa de amigos - ele prometeu não voltar para casa antes de terminar o projeto, previsto para ir até 10 de dezembro de 98.
Mas durante o dia e na semana entre as festas, Eduardo está percorrendo as casas onde foi recebido. Quis conhecer o Natal de gente que leva uma vida mais simples. Duas coisas me impressionaram no convívio com as famílias da periferia: a quantidade de religiões diferentes e de lojas R$ 1,99. Vou saber como tudo isso funciona no Natal.
Eduardo selecionou cinco casas para visitar nesta época. Vou ficar com as famílias que me convidaram e que vivem nas redondesas do bairro Riviera, conta. Fenianos quer conhecer as formas diferentes das pessoas terem o seu Natal. Ele espera ouvir muita sanfona e trombone, junto com as famílias descendentes de poloneses. Vou passar o Natal na rua, mas não na da amargura.
Começando o caminho de volta, o urbenauta afirma que a estética do Natal é bem diferente na periferia da cidade. Os programas são diversos, as pessoas preparam a comida diferente e se comportam com mais simplicidade, define. O tipo de vida que levam, sempre voltados para a sobrevivência e para a casa permite que exteriorizem os sentimentos e desenvolvam a criatividade da forma não convencional, observa.


