Uma saúde que funciona
"Aos 100 anos, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) não têm mais clínicos gerais, ginecologistas e pediatras. Ao longo das últimas décadas, eles foram substituídos por médicos especialistas em Saúde da Família, que atendem desde a gestante até o idoso e que contam com equipes completas. A evolução nos últimos 20 anos se deve à mudança de modelo. Antes, o sistema sanitário era guiado pela cultura da doença e do hospital. Após várias tentativas de se inserir com ênfase a medicina preventiva no sistema, os usuários, enfim, entenderam a proposta e hoje as redes de assistência integradas priorizam a prevenção a epidemias, o saneamento básico, o combate e a conscientização dos prejuízos causados pelo consumo de drogas lícitas e ilícitas, a educação sexual, a conscientização ambiental, a cidadania no trânsito.
Os gestores públicos consolidaram uma organização eficiente de ações multidisciplinares, o que gerou reflexos reais e consistentes na melhoria do atendimento pelo sistema de saúde. As enfermidades crônicas já não superlotam hospitais e já não mais encarecem o custo do sistema público. Superamos os obstáculos que impediam a realização plena da proposta de acesso universal ao direito à saúde, uma meta estabelecida desde a Constituição Federal de 1988, que estabeleceu um dos sistemas mais avançados do mundo, o SUS.
Finalmente, superamos também a cultura nacional arraigada que era centrada no tratamento. Hoje, os profissionais da área são treinados para compreender o paciente como um ser holístico e não apenas biológico."
Edson Souza,
ex-secretário municipal de Saúde





