Uma rota de sossego, história e café
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terça-feira, 21 de maio de 2013
Wilhan Santin<br>Especial para a FOLHA
Pequeno fruto de uma árvore de origem etíope, o café tem lugar de destaque na história de toda a porção Norte do Paraná. Seu cultivo mais intenso começou no Norte Pioneiro, no começo do século passado. Em 1920, o Estado já possuía 1.215 propriedades cafeeiras, com pouco mais de 14 milhões de pés, segundo narra o livro de Irineu Pozzobon, "A epopeia do café no Paraná" (Grafmarke, 2006).
Em 1941, com a Companhia de Terras Norte do Paraná colonizando a região de Londrina, já eram 61 milhões de pés de café. Apenas vinte anos depois, 1961, tamanha foi a expansão da cultura cafeeira na terra vermelha, o Paraná já contava com mais de 1,2 bilhão de pés de café em suas terras.
Quis também a história que viesse a mecanização da lavoura, a rotação de culturas, a geada negra de 1975, tirando do café o protagonismo na região. Mas sem apagar da memória coletiva a sua grande importância.
Na "Rota do Café", projeto do Sebrae implementado em 2009 para impulsionar o turismo na região, é possível conhecer muito mais dessa história, vivenciar o processo de colheita, abanação, rodagem em terreirões e armazenagem, além, é claro, de agradar ao paladar, provando o fruto feito bebida de qualidade e muitos outros quitutes, de café ou não. Experiência cultural, saborosa e de preço acessível.
"A Rota vem crescendo a cada ano. Em 2012, recebemos aproximadamente dois mil turistas. Além do Paraná, registramos grupos de Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul e até do exterior, de países como Alemanha e Estados Unidos", relata Sergio Ozorio, gestor do projeto.
No total, a Rota oferece, em 18 municípios, 35 atrativos que vão de cafeterias na região central de Londrina a fazendas em Ribeirão Claro (a 188 km), no Norte Pioneiro, passando por museus, pousadas, institutos de pesquisa, reservas ecológicas, corretoras de café. Tem até um musical, apresentado em Ibiporã, todo dedicado ao tema café. Enfim, atrações para todos os gostos. Cada grupo monta o roteiro conforme lhe convém, escolhendo os atrativos que desejar.
"Independentemente do atrativo escolhido, prezamos pelo turismo de experiência. Em todos, os visitantes são convidados a interagir", diz Ozorio. Por isso, nas fazendas é possível até abanar café, naquele clássico processo de colocar os grãos na peneira e jogá-los para o alto, separando-os das folhas, pedras, terra.
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