Uma receita sofisticada e simples
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Jussara Voss é jornalista, trabalha escrevendo sobre assuntos árduos, como ciências e tecnologia, mas uma paixão pessoal acabou levando-a para um tema muito mais saboroso, a gastronomia. No blog, que mantém desde setembro do ano passado, ela se define como uma ''cozinheira de araque'', uma vez que não domina as técnicas da cozinha, e que apenas reproduz receitas. Ao seu lado, no entanto, ela conta com dois aliados importantes: o atrevimento, que a leva a escolher sempre receitas sofisticadas de grandes chefs, e a curiosidade, que vem lhe rendendo grande conhecimento sobre tudo o que envolve o mundo da cozinha.
Foi o gosto pela gastronomia sofisticada que pesou na hora de sugerir uma receita para a Folha, o Carpaccio de Shitake ou funghi, prato servido como entrada no famoso restaurante Figueira Rubaiyat, localizado no Jardim Paulista, em São Paulo. ''Essa receita é maravilhosa'', diz Jussara, que pensou em um prato fácil de fazer, saboroso e que combinasse com o verão. O prato, segundo ela, exige apenas um cuidado muito especial: cortar o funghi ou shitake em fatias bem finas, que é o segredo de qualquer carpaccio.
Jussara conta que o gosto de cozinhar nasceu em casa. ''Minha família, minha mãe, minhas tias, são de cozinhar. Era aquelas casas que tinha criação de galinhas, massa feita em casa'', diz. Apesar disso, como filha mais nova, nunca era chamada para ajudar no preparo das comidas. Por isso, só foi colocar literalmente a mão na massa já adulta, quando começou a namorar e sentiu vontade de cozinhar para o namorado. Munida de livros, sempre assinados pelos grandes chefs, começou a cozinhar. E não parou mais.
O casamento com o arquiteto Romildo Voss, também um apreciador da boa mesa, veio dar ainda mais impulso ao seu gosto em cozinhar. Com outros casais, eles passaram a fazer o que chamaram de ''jantares estrelados'', ou seja, refeições elaboradas a partir de receitas das grandes estrelas da gastronomia. Mais tarde, em função de seu conhecimento sobre o assunto, Jussara se transformou em uma espécie de ''roteirista'' dos encontros mensais de sua turma de colégio, escolhendo os restaurantes e até o cardápio para as amigas.
A cozinha ganhou espaço especial na vida do casal depois de uma fatalidade. Com a morte do pai de Romildo, eles herdaram uma fazenda na cidade da Lapa, local que passaram a frequentar nos finais de semana e que hoje se tornou cenário das muitas investidas gastronômicas do casal. Enquanto Romildo gosta de organizar grandes almoços, fazendo carangueijadas, peixadas ou costela assada, Jussara se especializa nas receitas sofisticadas.
Cozinheira de finais de semana e ocasiões especiais, Jussara conta que até pouco tempo nunca tinha feito feijão com arroz. Para ela, sua opção em fazer pratos assinados por grandes chefs é fruto de sua ingenuidade, que a faz acreditar que vai conseguir fazer o que eles fazem, e do seu perfeccionismo, que a faz ir atrás sempre do melhor. ''E dá certo, não é difícil. Só é preciso ter vontade de cozinhar, amor pelo que se está fazendo e bons ingredientes'', diz.
Ela conta que chegou a cozinhar 13 pratos diferentes, entre entrada e sobremesa, em uma única refeição. Isso foi na época em que decidiu reproduzir cardápios servidos a chefes de estado por Roberta Sudebrak, então chefe de cozinha do Palácio Alvorada no governo de Fernando Henrique Cardoso. Roberta Sudebrak, aliás, é uma de suas chefs preferidas. Em primeiro lugar, vem o premiadíssimo Alex Atala.
O blog (www.jussaravoss.blogspot.com.br) veio como resultado de todas essas histórias. Ali, ela escreve sobre restaurantes e bares de Curitiba e de São Paulo, para onde viaja frequentemente, reparte suas experiências com novas receitas e dá dicas sobre assuntos relacionados à cozinha. Sem saber destrinchar uma galinha ou afiar uma faca, como ela mesma diz, requisitos básicos para um bom cozinheiro, ela conta também seu dia a dia como aluna em um curso de gastronomia.


