No ar há 21 anos, a Rádio UEL FM ajudou a moldar o gosto musical de muitos londrinenses. Ao mesclar música de qualidade e jornalismo, tornou-se a opção de quem quer fugir de programações comerciais. A diversidade de sons é garantida pelos muitos colaboradores. Da ópera ao hip-hop, passando pelo jazz, samba, música caipira, choro, rock, música contemporânea, música clássica e bossa-nova, há opções para praticamente todos os gostos nos programas da emissora.
  ‘‘Sempre tive a certeza que a Rádio UEL seria uma grande alternativa de programação para o público de Londrina e região. Sabia que ela iria fazer a diferença e que viria para ficar. Hoje, com o advento da internet e das novas tecnologias de comunicação, vejo que ela se tornou uma emissora sem fronteiras, com a mesma linha editorial idealizada na década de 90. Isso me dá a certeza de que estávamos no caminho certo’’, afirma a professora Rosa Abelin, que conduziu o processo de concessão e de implantação da emissora, em 1990.
  A atual diretora da rádio, professora Neusa Maria Amaral, confirma que a proposta hoje é resgatar o foco inicial da UEL FM, que é a música brasileira de raiz. ‘‘A emissora sempre manteve o padrão de qualidade e nunca deixou de ter um perfil diferenciado, que foge do padrão das rádios comerciais. Mas fizemos algumas modificações na programação. Hoje a rádio tem um formato muito bem definido: só toca música do Brasil ao longo do dia e à noite e nos finais de semana há espaço para a música universal. A programação jornalística também tem horários específicos e predefinidos’’, explica.
  Neusa ressalta que o papel de uma rádio universitária também é educar para o novo, por isso a programação pode ir um pouco além dos padrões tradicionais, mesclando músicas artístico-experimentais àquelas mais comuns ao repertório do público que ouve a rádio. ‘‘Temos esta flexibilidade cultural, tanto em termos de música como de jornalismo. Incluímos no noticiário, por exemplo, algumas informações que possam ser úteis ao ouvinte sobre o que é produzido dentro da universidade. A emissora é um canal diferenciado de cultura e informação’’, resume a diretora.

Ilustres ouvintes
  A enfermeira aposentada Dalva Cazali, que não perde uma edição do programa ‘‘Para Gostar de Ópera’’, é prova de que os ouvidos podem ser ‘‘apurados’’ por meio do rádio. Ela conta que ouve música clássica desde a adolescência, por influência da irmã, mas que por muito tempo só conseguia ouvir trechos de óperas. ‘‘Agora, graças ao programa – apresentado há 18 anos pela professora aposentada Fernanda Jiran –, passei a conhecer e a gostar dos enredos, e ouço as árias completas.’’
  Dalva também encontra nos acordes um antídoto para a tristeza. ‘‘Moro sozinha e a música me ajuda muito. Quando descobri os programas de música clássica e óperas da Rádio UEL ficou mais fácil superar a depressão pela perda do meu marido e pela mudança de cidade’’, conta Dalva.
  As mais de duas décadas de existência da UEL FM já renderam à equipe de profissionais da emissora várias histórias ligadas a ouvintes que criaram um estreito vínculo com a emissora, tornando-a parte de suas vidas. Uma destas histórias é a de José Roberto Lopes, comerciante de Sertanópolis (Norte) – já falecido – que só trabalhava ouvindo a programação da rádio, na época ainda chamada Universidade FM. A jornalista Patrícia Zanin lembra que Lopes ligava com frequência para comentar, sugerir, criticar. ‘‘Ele chegava a estudar temáticas para contribuir, de forma qualificada, com as entrevistas realizadas pela emissora.’’

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