Moradores e comerciantes da região da Praça Miguel Couto, a Pracinha do Batel, fazem uma manifestação no local amanhã de manhã contra o projeto da Prefeitura, que vai separar a praça em duas, com a passagem de uma rua no meio. A polêmica é antiga. Há pelo menos dois anos, desde que a mudança foi cogitada, começaram a surgir opiniões contrárias. Os moradores defendem que a praça permaneça como está, mas a prefeitura afirma que trata-se da melhor solução para resolver o problema de trânsito no local.
  Com polêmicas ou não, tudo indica que desta vez o projeto sai. A proposta do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) foi apresentada à comunidade em reunião pública, no dia 15 de maio, quando moradores e empresários puderam tirar suas dúvidas sobre as mudanças junto a técnicos do Ippuc, da Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran) e da Administração Regional Matriz, que participaram do encontro.
  Segundo o administrador da Regional Matriz, Omar Akel, ainda falta definir alguns pontos do projeto, como a localização futura do ponto de táxi e das feiras livres, mas a previsão do Ippuc é que em julho seja aberta licitação para o projeto da reforma. Com isso, as obras devem começar no início de 2008.
  As mudanças na praça fazem parte de um projeto de reformulação do sistema viário, para desafogar a ligação entre os bairros Água Verde e Bigorrilho, na região do Batel. A proposta do Ippuc prevê a divisão da praça, que será cortada por uma rua, unindo, assim, a Rua Carneiro Lobo à Desembargador Costa Carvalho. Hoje para ir de uma rua a outra o motorista tem que contornar a praça, passando pela Rua Gonçalves Dias e a Avenida Batel.
  A Carneiro Lobo, Desembargador Costa Carvalho e Aristides Atayde - que na verdade são uma rua só mas com nomes diferentes - vão fazer parte de um binário, junto com as ruas Euclides da Cunha, Gerônimo Durski e Gastão Câmara para facilitar a circulação entre os bairros Água Verde e Bigorrilho.
  De acordo com Akel, a nova travessia, que irá cortar a praça é essencial para desafogar o tráfego na região. De cada dez carros que chegam à praça pela Carneiro Lobo, oito seguem em direção à Desembargador Costa Carvalho. Ele cita que o tráfego na Gonçalves Dias está com saturação de 82%, acima do limite admissível, de 80%. Estudos do Ippuc mostram que com a mudança a saturação na rua baixará para 67%. O mesmo acontece na Avenida Batel, que está com 85% de saturação e com a nova travessia baixará para 53%.
  Para que os carros não cruzem a praça em alta velocidade, a extensão da pista que dividirá o local será feita com uma elevação de 10 centímetros (como uma lombada), e em paver de cor diferenciada do restante da rua.
  Akel garante que a remodelação não vai significar perda de espaço para a comunidade, uma das principais reclamações dos moradores locais. Apesar da perda de área para a abertura da rua, a praça, que hoje tem 1.637 metros quadrados, será anexada ao jardinete (ou cotovelo) que fica ao lado de onde os carros fazem o contorno. Com isso, sua área total ficará em 1.732 metros quadrados.
  O projeto também prevê o remanejamento das feiras livre e gastronômica, que às terças e sábados fecham o trânsito de veículos na Rua Carneiro Lobo. A proposta inicial do Ippuc era de instalação das feiras na Rua Silveira Peixoto, entre Batel e Visconde de Guarapuava, mas também está sendo estudada a possibilidade de serem realizadas no prolongamento da Visconde de Guarapuava, perto do Colégio Dom Bosco. O ponto de táxi que fica junto à praça na Gonçalves Dias também será mudado. Os taxistas não gostaram da proposta inicial de serem transferidos para a Rua Carneiro Lobo.
  Na reformulação da praça, a prefeitura manterá os principais elementos urbanísticos e arquitônicos, como o caramanchão, o busto do barão do Serro Azul e as bancas de jornais e flores. A banca de jornal, no entanto, será mudada de lugar, o que também não está sendo bem aceito. Também está prevista a instalação de um café com mesas ao ar livre.

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