Uma pedra no meio do caminho
No dia 9 de maio, numa ladeira perto do Centro Politécnico, o estudante de medicina José Lopes Ferreira tomou uma atitude que iria marcá-lo para o resto da vida. Disposto a lutar contra o pagamento de anuidade na UFPR, Zequinha, como era conhecido, seguiu com outros jovens estudantes para mais uma manifestação. As armas que eles empunhavam eram típicas de garotos: estilingue, bolas de gude e pedras.
Naquele dia, o estudante se viu frente a frente com a cavalaria da Polícia Militar. Os policiais seguiam dispostos a impedir a ação dos estudantes. Numa imagem imortalizada pelo fotógrafo Édison Jansen, do jornal O Estado do Paraná, Zequinha sacou do bolso seu estilingue e atingiu em cheio o capacete de um dos policiais. Deixou o militar atordoado. Em seguida, fugiu escada acima para se refugiar em uma casa da vizinhança. Como cavalo não sobe escada, se viu livre, escondido no interior de uma residência.
Aquele ato de rebeldia contra a repressão foi parte do fim do combate aberto ao poder instituído. Dali para frente, a ditadura só iria endurecer, se tornar mais violenta. E a luta pela liberdade se tornaria clandestina. Em dezembro de 1968, a ditadura abandonava a máscara e assumiu o fim da liberdade ao instituir o Ato Institucional Número 5, que fechava o Congresso Nacional, suspendia os mandatos, autorizava a intervenção nos Estados e Municípios, o confisco de bens, tornava legal legislar por decreto-lei, impedia a realização de reuniões políticas, suspendeu o habeas corpus para presos políticos e aumentou a censura. (R.C.F.)





