O maestro Ricardo Castro, Diretor Geral e Artístico do projeto "Neojiba", destaca que vários jovens do projeto já participaram de diversos festivais, inclusive internacionais, e obtiveram resultados significativos. "Partindo do princípio de que a música é feita coletivamente, os intercâmbios musicais proporcionam capacidade de interação e integração social. Têm jovens que nunca saíram de sua cidade e experiências assim ampliam a percepção de mundo e o contato com outras culturas. É ainda a chance de avaliarem seus parâmetros de qualidade." Cerca de dez alunos do projeto vieram a Londrina; um quarteto de cordas e os demais de instrumentos de sopro. "Antes de ser um projeto musical, o Neojiba é um projeto de desenvolvimento humano. É só darmos oportunidades e ferramentas a esses jovens que eles agarram."
Sediado em Salvador, na Bahia, o projeto Neojiba foi criado em 2007 pela Secretaria de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, cuja gestão é realizada por uma entidade sem fins lucrativos, o Instituto de Ação Social pela Música. Cerca de 4,6 mil crianças, adolescentes e jovens são atendidos nos núcleos de prática orquestral e coral na capital e no interior. "Começamos do zero, pois não havia tradição de formação sinfônica na Bahia. Com os poucos anos de existência, já conquistamos respeitabilidade e visibilidade em outros países. Fomos a primeira orquestra jovem a realizar uma turnê internacional", lembra o diretor, que também vai ministrar curso de regência orquestral e vai reger o concerto de encerramento do FML.

PROJETO GURI
Ex-aluno do projeto "Guri" e atual regente e educador, Agnaldo Burgo Junior informa que 18 bolsistas alunos do projeto integrarão a Orquestra Jovem, além de tocarem em várias apresentações da programação do FML, incluindo a de encerramento. E para que tudo ficasse pronto, houve uma intensa rotina de ensaios e estudos de cada jovem integrante. "Ficamos bastante focados no festival, mas sem abandonar outras atividades como a gravação do nosso DVD e três importantes apresentações que tivemos dias atrás." Para isso, segundo ele, dobraram o número de horas semanais de ensaios. "Os alunos empenharam-se para chegarem prontos, restando apenas alguns ajustes ao espetáculo. O contato com outros instrumentistas motiva que os jovens busquem ainda mais conhecimento. Eles estão ansiosos pela participação."
Projeto administrado pela organização social "Amigos do Guri", é um programa de educação musical que oferece cursos de canto coral, instrumentos de cordas a crianças e adolescentes desde 1995. São cerca de 35 mil alunos que participam das aulas anualmente em polos de ensino em todo Estado de São Paulo. "Com certeza, participar do projeto e ainda ter oportunidade de fazer intercâmbio em festivais é uma experiência única de crescimento que leva os jovens a terem um rumo feliz na vida. Estou me sentido como um adolescente de novo em participar como aluno do FML", diz ele, que dirige o Grupo de Referência de Ourinhos, grupo de percussão formado por dez músicos dos municípios de Assis, Palmital, Marília e Ourinhos que explora a diversidade da percussão, com instrumentos como pandeiro, caixa, congas, surdos, pratos e teclados.

AÇÃO SOCIAL PELA MÚSICA
O FML recebe também alunos do projeto "Ação Social pela Música". Criado há 20 anos no Rio de Janeiro pela ONG de mesmo nome, está presente em favelas do Rio e cidades do interior, com a finalidade promover a cidadania por meio da arte, criando núcleos de prática instrumental e coral a cerca de mil crianças e adolescentes. Segundo Fiorella Soaris, diretora do projeto, são dez alunos do projeto que saem do Estado pela primeira vez. "Outro dia, um deles me disse que estava vivendo um sonho e não queria acordar. Iniciativas como a do FML de abrir as portas para jovens de projetos sociais são como uma vitrine de talentos. Eles poderem vivenciar tudo isso, ter contato instrumentistas e professores de alto nível, certamente, é um novo mundo que se abre."
Mundo este que ela acredita ser primordial para o crescimento e desenvolvimento profissional. "Ao mesmo tempo em que a autoestima é elevada, pois sentem-se importantes de tal oportunidade, dão conta de como é a realidade e que existe muita gente boa nessa área. É o pontapé inicial de uma carreira." Ela acrescenta que os alunos têm, em média, três ou quatro anos de estudo. Os alunos escolhidos ampliaram as horas de ensaio, incluindo aulas aos sábados e domingos. "São jovens que cresceram num ambiente de pobreza extrema e violência. Ao terem essa chance, agarraram essa oportunidade com muita força e estão dedicando-se ao máximo."

Imagem ilustrativa da imagem Uma oportunidade de intercâmbios musicais
| Foto: Embratel/Claro/Divulgação
Dez alunos do projeto Ação Social pela Música saem do Rio de Janeiro pela primeira vez para participar do 35º Festival de Música de Londrina
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