Uma noite no Zôo
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segunda-feira, 13 de agosto de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
As girafas do Zoológico de Curitiba devem ter levado um susto. Por volta das 22 horas do último dia 6, enquanto a maioria dos animais dormia em suas respectivas tocas, uma verdadeira romaria de alunos - todos em fila indiana segurando lanternas - saiu do meio da mata para visitar a bicharada. Tratava-se da Noite no Zôo, uma atividade desenvolvida pela divisão de dinamização cultural do Zoológico municipal, que tem como objetivo a educação ambiental.
O passeio é realizado pelo menos uma vez a cada mês com alunos das escolas da rede pública, escolas particulares, grupos organizados e outras entidades. Nem sempre as escolas pertencem ao poder municipal. Segundo o coordenador da atividade e funcionário da divisão há 12 anos, Valdenísio Ferreira dos Santos, ''a educação ambiental não têm fronteiras'', de maneira que escolas da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e até de outros estados já tiveram a oportunidade de participar da atividade.
A Noite no Zôo foi criada em 2006 para atender ao público do Cop Mop - conferência sobre meio-ambiente e biodiversidade sediada em Curitiba, no ano passado. ''Deu tão certo que continuamos'', conta o coordenador.
No último dia 6, foi a vez dos alunos das escolas Irmã Eufrásia Torres e Francisco Claudino, de São José dos Pinhais, participarem da Noite no Zôo. Na ocasião foram contemplados mais de 50 estudantes do programa de Ensino de Jovens e Adultos (EJA), cuja idade variava entre 16 e 74 anos. Alguns aproveitaram para levar os filhos no passeio.
O local que centraliza essa e outras atividades de educação ambiental é a Casa de Acantonamento, presente dentro da área do Zôo, separada do espaço onde estão os animais por um pequeno bosque. Logo que chegam, os alunos vão para o refeitório onde fazem um lanche rápido. Depois assistem a uma palestra sobre animais peçonhentos. ''Eles aprendem que a cobra e a aranha estão na casa deles, que é a floresta. Se o homem vai entrar na casa dos outros, que esteja preparado'', explica Ferreira dos Santos.
Geralmente a atividade que se segue é o Cerimonial do Fogo, uma reunião em torno de uma fogueira onde os técnicos conversam com os alunos sobre a origem do fogo, seus usos para o bem e para o mal. No final da cerimônia, cada participante recebe como lembrança um pedacinho de carvão. Segundo Valdenísio, existe uma crença de que tudo que é conversado em torno de uma fogueira fica gravado em seu carvão, dessa forma, os estudantes estariam levando consigo um registro do que foi falado na ocasião.
A última etapa da atividade é o Passeio Noturno. Os alunos são reunidos em duas filas e recebem uma ''lanterna'' feita com uma lata e uma vela. Eles são instruídos a não fazerem barulho para não assustar os animais que têm hábitos noturnos. A primeira fase é a travessia de uma área verde até o lado onde ficam os animais. Durante o trajeto, a pequena Larissa, de oito anos, não desgrudava da mão do pai, Manoel Souza, aluno do EJA. ''Tenho medo de encontrar uma onça'', contou a menina à reportagem da Folha. Mas os animais selvagens estavam apenas no final da trilha, enjaulados.
Ao chegarem ao Zôo, os alunos tiveram a chance de alimentar as girafas, que dormem apenas duas horas por noite, e os hipopótamos. Carlos Aparecido, de 36 anos, conta que já caçou muito bicho grande quando morava no Mato Grosso, mas nunca tinha visto animais tão diferentes de perto. ''Quero ver como é de dia'', afirmou. Assim como ele, a aluna Maria de Fátima, 44, diz que vai voltar e trazer a filha pequena para conhecer o zoológico.
A intenção dessas atividades, segundo Valdenísio, é despertar nos alunos o sentimento de respeito pelo meio ambiente. ''Você só respeita o que você conhece'', diz. Muitos dos jovens que participam do passeio tornam-se multiplicadores de uma mensagem ecológica. ''Eles sensibilizam familiares e vizinhos a respeitar o meio-ambiente'', conta.


