Uma música amadurecida
Um debate ronda bares e casas londrinenses que abrem espaço para shows musicais: a discussão sobre banda cover versus música autoral. Para o futuro, músicos, cantores e produtores apostam no amadurecimento artístico e do público.
''Essa discussão perde um pouco o critério. Fica parcial demais por causa de coisas como cover do 'Cumpadi Uóshinto' não pode, cover do Jan Garbarek pode. Acredito que se for o 'Cumpadi Uóshinto' que toca o seu coração...toque o 'Cumpadi Uóshinto'. Se for Garbarek toque. Sabendo lógico que, quem quiser fazer cover do segundo terá seu nome escrito no céu, mas terá pouco mercado'', destaca o cantor e compositor Tonho Costa.
O músico aposta no amadurecimento da música londrinense e que a diferença entre o interesse comercial e autoral irá diminuir. ''Londrina tem faculdade de música, festival, estúdios, excelentes músicos e boa produção, mas ainda sustenta a lenda do santo de casa que não faz milagre. Quando os empresários, produtores, instituições, investidores, governo e população derem mais valor ao produto londrinense, o desenvolvimento cultural será inevitável'', avalia o autor do CD ''Universo Quintal''.
O produtor musical, Eduardo Jardim, que já produziu Fernando & Sorocaba, diz que o mercado londrinense está mudando. ''Percebo um crescimento da MPB. O mercado tende a se profissionalizar cada vez mais. Hoje o sertanejo é o que oferece melhores condições de trabalho para músicos e mais da metade dos que ganham cachê tocam para duplas. Alguns conseguem com isso fazer trabalhos paralelos.''
Tonho Costa diz que o futuro da música londrinense é uma questão de escolha dos músicos. ''Fiz minhas escolhas e tento todo dia ser responsável por elas. Escolhi a música. A música que eu gosto. E fazer música exige devoção, envolvimento. Pode ser superficial e pode ser milagroso. Eu quero milagre. A pergunta é: dá para fazer música em Londrina? Dá para fazer música em qualquer lugar'', afirma Costa. (F.L.)





