Uma mão amiga na adaptação ao novo País
Em 1988, aos 18 anos, o empresário Fabio Kai resolveu partir para o Japão com o objetivo de dar um rumo diferente à sua vida. Na época, ainda não eram muitos os brasileiros que se aventuravam no país oriental. "Ainda não tinha aquele boom." Kai ficou por lá até 1999. Nesse tempo, trabalhou para uma empresa de autopeças. A carga horária pesada e as condições de trabalho, entretanto, fizeram com que ele desenvolvesse uma hérnia de disco. Fez uma operação e ficou três meses internado. "A carga horária era grande e eu trabalhava agachado e com o peso dos materiais."
Depois, voltou a trabalhar em outra fábrica até que a agência que o havia levado ao Japão notou sua disposição para ajudar outros brasileiros com processos burocráticos e outras recomendações para que eles se adaptassem mais rapidamente à nova cultura. Foi aí que ele se tornou um "sekininsha", uma espécie de intérprete que ajudava outros brasileiros a se acomodarem no Japão. "Meu papel era tentar fazer com que os brasileiros não sofressem tanto com acomodações, com tantas outras regras que eles não conheciam." Era 1991, época em que os brasileiros começaram a chegar em grande volume ao Japão.
Quando o filho mais velho estava com idade para entrar na escola, Kai resolveu voltar com a família para São Paulo. O empresário havia se casado lá. Era hora de buscar recolocação no mercado de trabalho e então Kai foi trabalhar como vendedor de produtos hospitalares. "Eu passava em frente às lojas de cosméticos e via tudo sempre muito cheio." Foi aí que se lembrou de familiares que trabalhavam nesse ramo, buscou orientações e, quando surgiu uma oportunidade de compra de uma loja do gênero em Londrina, se mudou com a família para o interior.
Hoje, sua empresa, a Léo Cosméticos, emprega 350 pessoas em oito lojas, espalhadas em Londrina, Ponta Grossa, Arapongas e Maringá. A competitividade inerente ao povo japonês causou muito choque ao dekassegui paulista quando chegou à terra do sol nascente. Mas, hoje, Kai avalia que este aprendizado contribuiu muito para que se estabelecesse nos negócios. "Essa competitividade faz com que a gente vá mais rápido." (M.F.C.)






