Uma história de mobilizações
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de dezembro de 2011
Widson Schwartz <br> Especial para a FOLHA 
Em seu segundo livro sobre a arquitetura moderna na cidade, Juliana Suzuki historiciza uma forte caracterização do instinto de mobilização do londrinense: a Sociedade Amigos de Londrina (SAL), que atuou de 1947 a 1960. Com a redemocratização pós-ditadura Vargas, empresários e profissionais liberais fundaram a entidade em 1946, para ''estudar e discutir os problemas que se relacionam com o progresso e a riqueza do município (...) bem-estar, segurança e conforto dos munícipes, propondo às autoridades constituídas os meios de resolvê-los e colaborando (...) leal e abnegadamente para a obtenção dos fins mencionados''.
Outras instituições, entre as quais a Associação Rural (origem da Sociedade Rural do Paraná) e Clube de Engenharia e Arquitetura ''incorporaram'' o espírito. Importante não se esquecer ainda da anterioridade da Associação Comercial (mais tarde Acil) e da Irmandade da Santa Casa, motivo de mobilização que começou há 75 anos e continua até hoje.
Tal comportamento faz supor duas causas, associadas ou não: a completa ausência do Estado nos primeiros anos do pioneirismo e, depois, sua presença insatisfatória; a influência do liberalismo e da ética protestante numa população heterogênea, de 33 nacionalidades, que impôs ''dificuldades à preponderância de grupos''.
A dedução número dois é tese de mestrado do filho de pioneiros, oprofessor Jorge Cernev (1988), intitulada ''Colonização e Liberalismo - o Caso do Norte do Paraná''. Sua tese analisa o empreendimento da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP) paralelamente a conceitos em extensa bibliografia, desde ''A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo'', de Max Webber, até as correntes do liberalismo clássico segundo Roque Spencer Maciel de Barros.
''Muito embora a CTNP não se apresente como uma entidade de origem protestante'', seus diretores (escoceses) eram supostamente anglicanos, ''alguns fatos (...) mostraram a presença de atitudes caracterizáveis como típicas de um solo liberal, profundamente influenciada pela sua ética'', lê-se numa das conclusões. Aponta para ''uma nova mentalidade, em que o interesse particular ultrapassa os estreitos limites das vantagens individuais para se refletir na responsabilidade e nos benefícios do bem-estar social''.


