De acordo com a psicóloga Marilza Mestre, especialista no tratamento de fobias, o medo tem explicações culturais e filogenéticas, fruto da carga histórica de uma espécie. Esses padrões de comportamento muitas vezes têm um lado positivo. O medo do fogo impede que nos queimemos, o de altura impede que sejamos imprudentes em locais altos. O medo só é ruim quando traz prejuízos à nossa vida cotidiana. ''Se nós tivéssemos fobia de cobra, não haveria problema, pois não temos cobras na cidade'', compara.
Esse exemplo pode ser aplicado à faixa de mulheres acima de 60 anos que têm fobia de direção. Como nunca se viram forçadas a conduzir um veículo, provavelmente nunca saberão que têm esse problema. Essa situação muda completamente quando analisamos as mulheres na faixa dos 30 anos. ''Elas não têm escolha, muito provavelmente em algum momento da vida terão que dirigir'', afirma a especialista.
Esse seria um dos fatores que explicariam o surgimento de um grande número de pacientes com esse diagnóstico nas últimas décadas. A emancipação da mulher ao longo do século XX, que possibilitou uma transição da esfera privada para a esfera pública, realizando tarefas que eram desempenhadas quase que exclusivamnete por homens, revelou muitas dessas fobias que antes existiam de forma oculta.
Entre esses elementos culturais há também a figura masculina do motorista. A grande maioria das mulheres dessa faixa etária cresceu observando homens - pais e irmãos - ao volante. O próprio fato das meninas não brincarem com carrinhos contribui com essa exclusão do público feminino desse universo. ''Elas só vão se confrontar com o carro quando já estão adultas'', observa a especialista. (A.A.)

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