Os videogames são uma febre mundial já há algumas décadas, e nada indica que ela esteja perto de acabar. Pelo contrário. Novas tecnologias desenvolvidas tornam os jogos eletrônicos cada vez mais acessíveis. Empreendedores de Londrina perceberam as possibilidades oferecidas por essa mania e começaram a desenvolver games.
''Sabemos que aqui tem gente talentosa. O que não sabemos é se há recursos e estímulo para canalizar esses talentos'', afirma Renato Elias Simioni, um dos proprietários da Reiza Studios, criada há dois anos e que lançou um dos jogos brasileiros de maior destaque em 2011: o ''Game Stock Car'', para PC, um produto licenciado da mais famosa categoria do automobilismo nacional. Em outubro, na feira Brasil Game Show, foi o vencedor nas categorias jogo do ano e arte/design.
Para fazer o jogo, desenvolvedores da Reiza estiveram nos 10 circuitos representados no game (entre eles, Londrina e Curitiba). Em cada um deles, foram feitas mais de 900 fotos. Também foram usadas plantas dos autódromos e imagens do Google Earth. As alternativas de jogabilidade são bastante variadas: é possível escolher tipos de largada, durabilidade dos pneus, resistência dos carros, entre dezenas de opções. Tudo para deixar o game o mais realista possível e proporcionar diversão para especialistas e iniciantes.
A Reiza, que também desenvolve simuladores, é a típica empresa virtual. Desenvolvedores, programadores e demais profissionais envolvidos moram em cidades diferentes e trocam informações pela internet. A sede, entretanto, é Londrina. Mais precisamente, a casa de Simioni. ''A base fiscal, a parte administrativa e as reuniões são aqui em Londrina. Mas cada um trabalha no seu canto'', explica o coordenador.
A Reiza desenvolve atualmente um game sobre Ayrton Senna. A empresa já obteve licenciamento junto ao instituto que leva o nome do piloto brasileiro. Outro projeto, que está em discussão, é um jogo da Fórmula Truck.
A Calibre é outra empresa londrinense que investe na seara dos games. Foi criada em Cornélio Procópio, em 2004, e dois anos depois mudou a sede para Londrina. ''Fizemos a transferência porque aqui conseguiríamos mais profissionais capacitados e pela infraestrutura da cidade. Nosso trabalho exige muitas viagens, e o aeroporto facilita tudo. Para receber um cliente da Alemanha, por exemplo, Londrina oferece mais condições'', justifica Ronaldo Valentino da Cruz, CEO da Calibre.
A empresa começou desenvolvendo jogos ''físicos'' para várias plataformas diferentes: X-Box, Playstation, Nintendo Wii, PC. O foco agora, segundo Cruz, está em jogos que podem ser adquiridos on-line, no perfil chamado de casual, como games de estratégia e puzzles, principalmente para smartphones e tablets.
Atualmente, na Calibre trabalham 12 pessoas. Apesar das condições propícias para a produção de games, Cruz acredita que o apoio poderia ser maior. ''O polo de tecnologia em Londrina é muito forte e forma bons profissionais. Grandes cidades brasileiras estão investindo em games. Mas no Paraná isso não acontece. Tanto que tivemos que buscar investidores fora do Estado'', aponta.
Além da Reiza e da Calibre, outras empresas londrinenses desenvolvem games. A Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina (Intuel) tem atualmente duas desenvolvedoras de jogos vinculadas: a Flockin, que faz games educativos, e a Doin Apps, que confecciona jogos para tablets. A Oniria, que surgiu na Intuel, produz games, simuladores e softwares.

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