Os irmãos Cláudio Nonaca (fotógrafo) e Iria Eiko Nonaca (empresária) foram para o Japão em 1991. Cláudio, na época, tinha 25 anos e Iria 23. Durante esse tempo, trabalharam em diferentes indústrias. Mas como nenhum deles falava japonês fluentemente, afirmam que a língua foi o principal obstáculo no processo de adaptação. Para Iria, aprender a comer a comida dos japoneses também foi complicado. Segundo contam, a comida japonesa daqui não é em nada parecido com o que os japoneses comem por lá. "Eu não comia nada, porque nada tinha sal, então eu levava sal para pôr na comida. E nada tinha açúcar, então também levava açúcar", lembra, rindo.
A carga horária de trabalho era puxada, mas por decisão dos próprios irmãos. Os trabalhadores eram pagos por hora, então quanto mais trabalho, mais renda para trazer para o Brasil. Eram oito horas de trabalho diárias, mais três que eram permitidas como horas extras. Aos fins de semana, as horas trabalhadas também eram contadas como horas a mais. Por esta vontade de trabalhar, os brasileiros eram bastante procurados pelos empregadores japoneses, conta Cláudio. Até mesmo os paranaenses eram preferidos. "Eles (os empregadores) sabiam que podiam contar conosco."
Mas para ir para o Japão, é preciso ter foco. Cláudio e Iria contam que lá são comuns casas de jogos de azar, chamadas de "pachinkos". Os japoneses as encaram como um lazer, mas os irmãos dizem que já viram muitos brasileiros se perderem no vício do jogo. "Já vi brasileiros que deixaram anos de trabalho nessas casas e voltaram para cá sem nada." Adquirir carros e outros produtos também é mais fácil por lá, o que pode levar ao consumo desenfreado. "Vimos muita gente endividada."
Ao voltar para cá, Iria conseguiu levar uma vida mais tranquila e abrir uma loja de artesanato com o dinheiro que trouxe do Japão. Cláudio hoje é dono de uma empresa de sistemas de identificação, muito conhecida na cidade. Mas o legado da viagem ao Japão vai além do resultado financeiro. "O legado é a cultura, a convivência", opina Cláudio. Visitar o país estrangeiro com a mente aberta, na opinião dos irmãos, é uma dica para não sofrer tanto com os conflitos culturais. Feito isso, o aprendizado é para a vida inteira. (M.F.C.)

Imagem ilustrativa da imagem Uma experiência de trabalho, um aprendizado para a vida
Para os irmãos Cláudio e Iria Eiko Nonaca o legado da viagem ao Japão vai além do resultado financeiro
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