Líderes da Pastoral da Criança atuam em todo o País como ‘‘anjos da guarda’’ da saúde de quase 2,5 milhões de crianças de até 6 anos de idade. Os líderes, quase todos mulheres, voluntárias, disseminam ações básicas de saúde entre a população carente, e as práticas, simples e por isso facilmente assimiláveis, salvam milhares de crianças que poderiam perecer em decorrência até mesmo de uma diarréia. O remédio, neste caso, é a fórmula água, sal e açúcar que compõem o soro caseiro servido em colherinhas de plástico, um dos símbolos das ações.
No Paraná, são quase quinze mil voluntárias, das quais 1,65 mil atuam na Arquidiocese de Cascavel. A Pastoral e o trabalho das líderes, ao estilo ‘‘formiguinha’’, são reconhecidos internacionalmente e foram indicados para o Prêmio Nobel da Paz, lembra o arcebispo de Cascavel, d. Lúcio Baumgaertner. As ações básicas são ensinadas principalmente a mães e gestantes, orientadas para o exame pré-natal para prevenção de doenças nos bebês em gestação, alimentação delas próprias e a seguir de seus filhos.
No ano de 98, morreram apenas quatro das crianças atendidas pela Pastoral na Arquidiocese de Cascavel; no ano anterior, seis morreram. Esta é uma das consequências da redução dos níveis de desnutrição, de 5,8% para 2,7%, e de casos de diarréia, de 4,7% para 2,0%. As alimentadas exclusivamente com leite materno aumentaram de 71,7% para 94,4%.
Edison Mazzei‘‘Formiguinha’’Líder da Pastoral orienta mãe a aplicar soro em seu filho: dedicação e fórmula simplesA partir de janeiro deste ano, as líderes passaram a acompanhar cerca de 12 mil crianças, e a coordenadora na Arquidiocese, Seni Sabina, relata que não foi registrada nenhuma morte, e além disto 90% estão em dia com as vacinas indicadas para a faixa etária. Entre as que tiveram diarréia, a quase totalidade foi tratada com o soro caseiro, mistura ‘‘milagrosa’’ de água, sal e açúcar, administrada enquanto é mantida a alimentação normal. O soro é servido em colherinhas de plástico, um dos símbolos que identificam a Pastoral e suas ações de saúde.
Em Cascavel, outro símbolo é o padre José Persch (foto), 87 anos, da Paróquia Santo Inácio, zona norte da cidade. Persch, apesar da idade e adoentado, é uma espécie de ‘‘mascote’’ da Pastoral, pela sua dedicação em disseminar o soro. Nos bolsos, ele sempre carrega colherinhas, para entregar às mães, orientando-as sobre a forma de preparação e administração do soro. O padre, que prefere não se aposentar, não sabe quantas colherinhas já distribuiu, mas a coordenação da Pastoral estima que sejam mais de três mil.
Segundo Zilda Arns Neumann (que é irmã do cardeal Paulo Evaristo Arns, de São Paulo), a Pastoral é a maior organização não governamental do mundo em saúde, nutrição e educação comunitárias. Passados 15 anos de sua fundação, ela serve como referência para vários países em ações básicas de saúde envolvendo crianças, mães, gestantes e famílias. O fundador da Pastoral da Criança foi o ex-arcebispo de Londrina e hoje arcebispo de Salvador (Bahia), d. Geraldo Magela Agnello.

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