Era agosto de 2004 quando o funcionário público Marcelo Trautwein olhou para o médico que atendia sua filha Isabela, na época com seis anos, e disse: ''Se o senhor está dizendo que é de um milagre que estamos precisando então o senhor vai ver o milagre acontecer''. O quadro era gravíssimo e a família apostou na fé de amigos e conhecidos para salvar Isabela.
Ela apresentava meningoencefalite viral hepática e estava no Hospital Infantil há semanas. ''As crises de convulsão eram muito fortes e logo que chegamos no hospital os médicos já foram entubando, fizeram reserva de um leito de UTI e dali pra frente as coisas só foram complicando'', lembra.
As crises só pararam quando os médicos induziram a paciente ao coma, que durou incansáveis 38 dias. Ao todo, a família passou 62 dias no hospital. ''O vírus se instalou no cérebro e foi então que os médicos nos disseram que o caso era gravíssimo. Segundo eles, 85% dos casos levavam a óbito em 48 horas; 12 a 13% ficam com sequelas gravíssimas. Os casos como o da Isabela são apenas 1%'', diz.
''Um dia nos disseram que ela já não estava mais em coma induzido, mas em coma profundo por causa da doença'', lembra a mãe de Isabela, Valéria. Os exames apontavam que a menina diminuía a atividade cerebral a cada dia, chegando a 10%. Foi quando os pais ouviram, inclusive, comentários sobre a possibilidade de doação de órgãos.
''Então começamos a pedir para a família, amigos, parentes dos amigos para orar. Eles formaram uma grande corrente. Tinha gente de Londrina, Cambará, Cianorte, Curitiba, pela internet, amigos nos Estados Unidos, Alemanha, Japão. A gente chegava numa pessoa e pedia pra ela pedir para o vizinho, para o irmão dela, não importava a religião, bastava que acreditasse em Deus e que a oração viesse do coração, porque precisávamos muito da ajuda de todos'', conta Trautwein, emocionado.
O casal lembra que sempre tinha alguém da família com a garota. ''Falávamos que era só um soninho que ela estava tendo e não chorávamos nem conversávamos sobre o estado dela dentro da UTI'', diz Valéria. Depois de muitas infecções e momentos de desespero, um exame revelou que a atividade cerebral de Isabela apresentava melhoras, até chegar a 70% . A alta aconteceu em 18 de outubro, como lembra a mãe: ''Dia de Nossa Senhora de Schoenstatt, a padroeira da Irmandade Santa Casa''.
Hoje Isabela leva uma vida normal, vai à escola, brinca com a irmã Mariana, 8 anos. ''É como se Deus tivesse passado a mão na cabeça dela. A tomografia não aponta nada, como se ela nunca tivesse tido nada'', afirma Trautwein. (F.B.)

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