Uma coleção de conquistas noticiadas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Ruth Meira 
O bote cruzava o Lago Igapó tendo a bordo o bispo D. Geraldo Fernandes, o prefeito Antonio Fernandes Sobrinho, o promotor de Justiça Aristeu dos Santos Ribas, o vereador Alcione Pimpão e diretores da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Aquele passeio, na tarde de 10 de dezembro 1959, marcava a inauguração da obra, iniciada um ano antes, e o apoio da Folha de Londrina foi decisivo para que a cidade ganhasse o que é hoje um dos seus principais cartões postais.
Londrina tinha então 70 mil habitantes e eles, seus descendentes e outros londrinenses por adoção, acompanhariam pelas páginas do jornal várias campanhas que resultariam no progresso do município, da região e do Estado.
O Lago Igapó foi idealizado em 1957 como uma solução para o problema da drenagem do Ribeirão Cambezinho, dificultada pela barragem natural de pedra que afligia as várias àreas rurais das proximidades do ribeirão.
A idéia inicial era dinamitar essa laje, abrindo um canal para a passagem da água, mas acabou prevalecendo a sugestão de se fazer uma barragem e um lago artificial.
O acesso ao local era difícil, passando pela Rua Duque de Caxias no caminho para Três Marcos, na zona sul, onde havia um ponto de encontro de leiteiros, até a casa da torre de rádio da companhia aérea Real-Aerovias Brasil.
Nesse ponto era preciso atravessar um pasto e cercas, onde atualmente fica a Prefeitura (Centro Administrativo), para se chegar ao local da barragem. A escolha do ponto exato onde seria feito o alagamento teve o dedo do fundador da Folha, João Milanez. Junto com Joaquim Alho e Francisco Pereira de Almeida Junior, ele foi incumbido pelo então prefeito Antonio Fernandes Sobrinho de definir onde seria construído o lago.
Foi difícil, porque não tínhamos a menor idéia de como a cidade iria crescer, em que direção, lembra Milanez. Pior que isso: depois que a escolha foi feita e a área alagada, alguns donos de lotes da região inundada criticaram a prefeitura.
Ações judiciais tramitaram até meados dos anos 80, movidas por donos de lotes que se sentiram prejudicados pela construção do lago. Isso acabou ficando muito caro para o Município. Era preciso ter feito a coisa direito, com indenização para os proprietários. Alguns entenderam que a valorização das terras compensou a perda de uma parte dos lotes, mas muita gente, não, recorda.
Hoje, ninguém nega que o Igapó é o mais importante centro de lazer da cidade e marca registrada de Londrina.
A Folha esteve sempre presente nas lutas londrinenses, levantando bandeiras, encampando causas comunitárias, reivindicando melhorias. Assim, a sua trajetória também se aproxima da história da Associação Comercial e Industrial de Londrina, fundada 11 anos antes, em 1937, quando Londrina tinha menos de três mil habitantes.
Mãe das principais associações, hospitais e entidades locais, a Acil trabalhou sempre em dobradinha com a Folha, especialmente a partir dos anos 50, quando o jornal consolidava-se como porta-voz da região.
Temas capitais para o desenvolvimento de Londrina foram encampados pelos empresários e pelo jornal, em verdadeiros pools comunitários até que as reivindicações fossem atendidas.
O nome Jornalista João Milanez dado a um centro de shows e rodeios na Sociedade Rural do Paraná, em 1994, mostra a estreita relação entre o fundador da Folha - e o jornal - com os principais acontecimentos desde os primeiros anos de Londrina.
A Sociedade Rural nasceu Associação Rural de Londrina, no ano de 1946, tendo como presidente o produtor rural Hugo Cabral. A entidade foi criada no dia 25 de junho, graças ao arrojo de lideranças rurais da época, que sentiram a necessidade de se unir para lutar pela melhoria do setor agropecuário.
Funcionava na antiga sede da Associação Comercial de Londrina. Em 15 de outubro de 1965, a associação dos produtores rurais ficou mais abrangente e transformou-se em Sociedade Rural do Norte do Paraná.
A transferência da entidade para a área onde funciona hoje, no Parque de Exposições Governador Ney Braga, contou com uma campanha incondicional da Folha, até que Ney Braga e Paulo Pimentel fizessem a doação do terreno aos ruralistas.
Durante a homenagem prestada ao fundador da Folha, João Milanez, há pouco mais de quatro anos, o então presidente da Sociedade Rural, José Carlos Tibúrcio, destacou o pioneirismo de Milanez e a sua contribuição ao setor agropecuário do Estado. O centro de shows e rodeios tem a cara do Milanez porque será um local para a alegria. E ele transmite isso. Basta ver o apoio que sempre deu para as exposições agropecuárias da entidade, disse.


