Um dos resultados positivos da realização dos mestrados profissionais por parte da Universidade Estadual de Londrina (UEL) é a indicação da professora de Farmacologia Estefânia Gastaldello Moreira, do Centro de Ciências Biológicas, Departamento de Ciências Fisiológicas, para integrar um comitê que auxilia nas decisões dos governos signatários da Convenção de Estocolmo, vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU). Ela se prepara para encarar esta nova tarefa, a partir de maio de 2012. Estefânia está entre os 12 professores da UEL que ministram as aulas, em Brasília, do Mestrado Profissional em Toxicologia Aplicada à Vigilância Sanitária, implantado no início deste ano em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com o objetivo de capacitar técnicos do órgão.
O conhecimento de Estefânia e sua atuação nas áreas de avaliação toxicológica e avaliação do risco químico para a saúde humana (ela tem doutorado em Patologia e fez estágio pós-doutoral junto à Universidade de Washington na área de avaliação do risco toxicológico de praguicidas para a saúde humana) levaram o governo federal a indicá-la como a representante do Brasil no Comitê Revisor dos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs), o POPRC. O Comitê é composto por 31 membros indicados pelos países signatários e são, em sua maioria, cientistas que trabalham com avaliação ou manejo do risco químico. A pesquisadora explica que o POPRC se reúne anualmente e analisa, com base em conhecimento científico, todos os dados referentes a uma determinada substância química que está sendo proposta como POP.
''POPs são substâncias químicas que possuem quatro características: persistência (degradam-se muito lentamente no ambiente), capacidade de se bioacumularem (permanecem no organismo por longo tempo e vão se acumulando), toxicidade (podem induzir efeitos nocivos ao organismo) e capacidade de se deslocarem por longas distâncias quando estão no ambiente'', detalha Estefânia. Ela lembra que o trabalho do Comitê Revisor precisa ser bastante criterioso pois, uma vez classificada como POP, a substância será banida de produção e comercialização, com inevitáveis impactos socioeconômicos.
O POPRC possui 31 membros. Destes, cinco representam os países da América Latina e Caribe, e entre eles está a professora da UEL. Esta é a primeira vez que o País será representado por um profissional de uma instituição de ensino. ''Sei que vou poder colaborar com meus conhecimentos, mas também aprender com os demais especialistas que lá estarão e, posteriormente, disseminar na universidade o resultado desta experiência. Também será muito interessante poder vivenciar como se dá o processo de estabelecimento de acordos ambientais multilaterais'', avalia a professora, que em outubro já participou como observadora da 7 Reunião do POPRC, em Genebra, Suíça.
Estefânia, uma paulista de Botucatu, que adotou Londrina como sua cidade há 10 anos, integra o corpo docente permanente do Programa Multicêntrico de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UEL.

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