Tijuca - Toda beira-mar, mesmo que não sirva para banho, é normalmente ocupada pelas melhores casas e imóveis. Além do privilégio de ficar de frente para a orla, com espaço para esportes e diversão, quem não gosta de contemplar a paisagem e respirar o ar marinho, mesmo que seja só para olhar pela varanda? Especialmente quando o cenário é de cair o queixo, como na baía de Tijuca, em Santa Catarina.
Do lado direito, enxerga-se morros verdes e o mar da península de Portobelo, que naquele ponto exibe sua costa mais selvagem. Pela esquerda, o visual também é cor de esmeralda, com a face norte da península de Governador Celso Ramos e suas baías de águas limpas, recortadas por montanhas arborizadas. Em dia de sol, tudo brilha e fica ainda mais azul e verde. Porém, aqui tudo é ao contrário.
Trata-se de uma baía, de aspecto sujo - embora o mar não seja poluído nem se jogue lixo por ali. As águas são amarronzadas por conta de uma lama natural, típica da região, despejada na baía pelo rio Tijucas. A tal lama e sua sedimentação já foram objeto de estudos. Na beira da praia, nada de belas casas avarandadas, edifícios chiques, bares ou restaurantes. Há somente casebres, e até terrenos vazios, que podem facilmente ser invadidos.
No ar, uma sensação de abandono e desolamento, ampliada pelo barulho do vento. A cidade, banhada pelo rio de mesmo nome, cresceu para o lado oposto. E não há ninguém na praia, apenas uma ou outra criança.
Todo mundo vai para o outro lado. As atrações de Tijucas estão na beira do rio, e não do mar, bem mais adiante, depois da rodovia que corta a cidade. Muita gente conhece Tijucas só de passagem, pois é caminho para Nova Trento, onde de concentra o turismo religioso em visitas ao Santuário Madre Paulina.
Deste lado da BR-101, onde Tijucas é pobre, as casas vão ficando cada vez menores e mais simples até a cidade terminar na baía. Mas há belas construções históricas, perto da rodovia. A história começa em 1530, com a passagem de um navegador espanhol pelo local. Depois vieram os açorianos, que entravam rio adentro em busca de madeira. Até hoje, Tijucas tem bairros com influência das populações açoriana, italiana e africana.
Os imóveis antigos - alguns em péssimo estado, como o lindo e destruído Cine Teatro - ajudam a contar a história do município. São do tempo dos imigrantes italianos, comerciantes ricos, no século XIX. Ficam próximo do que já foi o centrinho do município, quando funcionava o porto, que recebia navegações pelo calado do rio Tijucas. A cidade era importante, pois o porto de Itajaí ainda não existia.
Pontos turísticos
Algumas construções antigas estão sendo recuperadas e servirão como pontos atrativos. Uma delas é o Palacete Galotti, onde viveu a família de mesmo nome, que passa por obras. Por enquanto, o bom de Tijucas está mesmo lá adiante, subindo o rio. Tem cachoeiras, pontos de banho, muito verde em direção aos morros e locais para comer e se hospedar.
A cidade tem boa estrutura - hospitais, banco, comércio - mas parece parada no tempo. Mesmo do lado mais próspero, a maioria dos imóveis, ruas e praças traz o design dos anos 1950 e 1960.
A principal renda do município vem da pesca e da agricultura. Mas a cidade abriga um pólo crescente de indústrias de pisos e azulejos.
Serviço
Tijucas tem 21 mil habitantes e fica a apenas 45 km de Florianópolis. Entre os pontos turísticos estão o Centro Cultural Harry Laus, o casario antigo, igrejas e oficinas onde eram fabricados barcos. Quem curte natureza pode ir no Salto do rio Tijucas, queda d'água com 80m de altura; no Salto Encanto, com 30m; e na Gruta da Pedra do Xandoca, com 15m de comprimento, que esconde um córrego bem no centro. Outras informações no www.tijucas.sc.gov.br.

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