Na placa, ela é ''das Indústrias''. Mas no começo da avenida localizada na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), são as casas que dominam o cenário. Os moradores, na maioria, deixaram outros bairros em busca de um lugar mais próximo do novo emprego nas indústrias da CIC. Foi a opção do metalúrgico Nelson de Pádua, 53 anos. ''Eu tinha uma casinha no Cajuru e vim pra cá há oito anos. Era muito longe trabalhar aqui e ter que se deslocar até lá, ficava muito caro no fim do mês'', revela.
Atualmente, segundo pesquisa realizada no ano passado pela Prefeitura Municipal de Curitiba, a CIC abriga 487 indústrias - a maioria na área de metalurgia - empregando diretamente cerca de 3 mil trabalhadores. Criada em 1973 em um convênio entre a Urbs (Urbanização de Curitiba S/A) e o governo do Paraná, o bairro conta com uma área de 4.337,8 hectares - correspondente a 10% de Curitiba. Por ali, estão construídas mais de 45 mil residências. A população do local, que ultrapassa 160 mil habitantes, é maior na faixa de 15 a 35 anos - aproximadamente 40%.
O comércio também está desenvolvido, com supermercados, lojas de calçados, roupas e eletrônicos e opções de serviços variados. Mas quando a pensionista Tereza Gonçalves chegou ao bairro, há 41 anos, só havia mato. E cenas inimagináveis nos dias de hoje. ''Havia um campinho, próximo ao lugar que hoje é o terminal de ônibus, onde ficavam uns gados e bois bravos pastando. Quando passávamos lá perto, eles corriam atrás da gente. Eu morria de medo'', relembra. Aos 60 anos, Tereza viu a filha crescer no local. Hoje, acompanha os passos da neta. E não pensa em trocar de endereço. ''Gosto muito daqui. Tivemos épocas violentas, mas agora está mais tranquilo. Parece até uma cidadezinha de interior'', compara.
Para Tereza o bairro está mais seguro, mas a dona de casa Aparecida Duarte discorda. ''Outro dia atiraram em um rapaz na esquina de casa. É o lado ruim do progresso'', analisa. Segundo ela, o destaque é que já há boas opções no comércio local. ''Você não precisa mais ir até o Centro como antes, para comprar alguma coisa. Só que junto vem essa violência, com assalto, morte. De noite você não sai, mas fica com medo de estar em casa e entrar alguma bala perdida'', lamenta.
Ana Toledo, dona de casa, tem opinião semelhante. ''Acho que falta mais policiamento em alguns pontos'', sugere. No bairro há 20 anos, ela relembra a dificuldade efrentada no passado para chegar até o posto de saúde. ''Você precisava se enfiar no meio do mato, com bicho picando. Sem falar que andava bastante'', recorda.
Os primeiros passos da Cidade Industrial também são lembrados pelo autônomo José Carlos Aranalde. ''No começo era organizado, com as construções planejadas. Depois o crescimento desorganizou as coisas'', opina. Para ele, a CIC tem hoje uma vida ''independente''. ''Quem mora aqui não precisa ir ao Centro. Trabalha e resolve todo assunto por aqui, mesmo'', elogia.
Segundo Juraci Barbosa Sobrinho, presidente da Companhia de Desenvolvimento de Curitiba, a pesquisa citada, feita pela Companhia de Desenvolvimento de Curitiba, dará subsídios à Prefeitura para melhorar o planejamento e ajudar no desenvolvimento da região. ''Com esse levantamento poderemos ter dados concretos'', afirma.

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