Ainvenção do consórcio para a aquisição de bens é atribuída a funcionários do Banco do Brasil nos primeiros anos da década de 1960, quando a indústria automobilística se expandia e faltava crédito a quem quisesse comprar carro. Mas é verdade que, 30 anos antes, o primeiro alfaiate a se estabelecer em Londrina, Lupércio Luppi, já oferecia um consórcio de ternos ou algo muito semelhante, sorteando um por mês entre os clientes que iam pagando em prestações.
  Desde então, a cidade absorveu passo a passo as inovações e, por vezes, até se antecipou com elas, colocando-se na vanguarda, em se mencionando a arquitetura de Artigas e Cascaldi, os cinemas, as telecomunicações e os shopping centers no interior do País entre outros exemplos.
  Londrina havia alcançado a terceira posição na Região Sul, em população, quando o Com-Tour ficou pronto em 1973, coincidentemente o terceiro shopping do País, precedido pelo Gávea (Rio de Janeiro) e Iguatemi (São Paulo). Deveu-se à iniciativa de Jorge Trincas e Raul Lessa, então proprietários da Construtora Alvorada, cujo diretor-técnico era o engenheiro Ézaro Medina, hoje presidente da Plaenge, maior construtora do Sul.
  Ao ser inaugurado, em 22 de novembro de 1990, o Catuaí era o maior shopping do País, pela área bruta locável de 85 mil metros quadrados, superando o Iguatemi de Campinas (SP).
  Parece coerente associar a tendência londrinense para o novo à velocidade urbana incomum, decorrente da grande povoação em pouco tempo e suas muitas nacionalidades. Uma parcela substancial dos pioneiros, que havia usufruído conforto material em outros Países ou mesmo no Brasil, permaneceu exigente na última fronteira de suas vidas. ‘‘Vim ajudar a fazer uma cidade para eu morar’’, disse Lupércio Luppi à FOLHA em 1985, ao completar 80 anos de idade, fazendeiro e plenamente realizado com a família.
  Sentença que muitos pioneiros tinham em comum, observaria o advogado Milton Menezes, ao recordar sua vinda em 1938: já existia a Associação Comercial entre ‘‘as marcas de ousadia da cidade que, não tendo passado a lembrar, empenhava-se em preparar o futuro’’. Em 1953, passados apenas 15 anos, a cidade tem 48 mil habitantes e o prefeito Milton Menezes anuncia as ‘‘Apólices de Londrina’’ para financiar a construção da rede de esgoto e ampliar o abastecimento de água, oferecendo aos investidores juros de 10% ao ano e resgates anuais em prazo máximo de 20 anos, ‘‘garantidos pelo município que maiores recordes de arrecadação oferece ao Brasil’’.
  Atraiu até aplicadores de fora, a publicidade tinha um apelo: ‘‘Onde a terra cheira a dinheiro’’. O prefeito tomava emprestado o título da reportagem de Harold H. Martin
(‘‘Land that Smells like Money’’) no semanário Saturday Evening Post (22/11/52), dos Estados Unidos, depois condensada em Seleções do Reader’s Digest (agosto/1953). Segundo Martin, a colonização do Norte Novo de Londrina e áreas adjacentes ‘‘combinou as vigorosas incursões da corrida do ouro da Califórnia com a obstinada conquista das planícies do oeste americano’’. Constatara que ‘‘quase 500 mil colonos de muitas nacionalidades transformaram, em poucos anos, uma região de 77 quilômetros quadrados numa das mais ricas zonas cafeicultoras do mundo’’.
  Afirmava-se que o Estado (governo) chegava sempre atrasado a Londrina, onde os prefeitos adiantavam soluções pelo conhecimento acumulado nos centros onde tinham vivido ou se formado e, pela seriedade, conseguiam a adesão da comunidade. O autofinanciamento de obras públicas, iniciado com a construção do sistema de esgoto, repete-se a partir de 1964, quando a cidade tem apenas 2,5 mil telefones e a Companhia Telefônica Nacional deixara, fazia tempo, de cumprir a obrigação contratual de expandir a rede; os usuários ainda dependiam da interferência de telefonistas.
  ‘‘Londrina terá telefones automáticos no estilo mais moderno e mais perfeito’’, afirmou o prefeito, José Hosken de Novaes, ao criar o Serviço de Comunicações Telefônicas de Londrina (Sercomtel). Sob a fiscalização de uma comissão de representantes da comunidade, a venda antecipada de linhas financia a implantação do Sercomtel, que ‘‘será praticamente do povo porque a Lei 934 permite que o título de uso seja um bem negociável’’, explica Hosken, formado em Direito no Rio de Janeiro e advogado de alto conceito. Em 7 de julho de 1968, a Sercomtel liga os primeiros 7.280 telefones automáticos. Com as sucessivas expansões e a constante atualização tecnológica, a cidade ainda seria a primeira do interior a ter telefonia celular e uma das primeiras do País com sinal digital de celular.

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