Uma chance de ouro, mas para poucos
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sábado, 17 de abril de 2004
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
O Calçadão ganhou uma dinâmica diferente no final da tarde de sexta-feira. Enquanto o comércio fechava as portas, o movimento aumentava. Poucos minutos depois das 18 horas, a fila diante da Pura Mania já chegava à Avenida Rio Janeiro. Meninas e meninos, de alturas, tipos e estilos diversos, aguardavam, ansiosos, pela entrada na loja. O motivo de tanto frisson não era uma promoção relâmpago, tampouco uma vaga de emprego. Pelo menos, não de vendedor. Lá dentro, estava a chance sonhada pela maioria dos adolescentes que cresceram assistindo ao boom da moda no Brasil: tornar-se modelo. E o que é melhor, pelas mãos da empresária de Gisele Bundchen.
Jessica Staub Vendrametto, 12 anos, era uma das que se destacavam da multidão. Morena, 1,78m, book na mão, ela já tem intimidade com as particularidades da carreira. ''Fiz bastante testes'', contou. Já a sua xará, Jessika Barrantes de Oliveira, também de 12 anos, 1,56m, fazia a estréia no métier. ''Quero ser uma modelo famosa, daquelas que todo mundo tem o nome na boca'', revelou.
Acompanhando a filha Franciane, 13 anos, 1,50m, Fátima de Lourdes Prazer comentava com outra mãe:''É o sonho da vida dela. Ela queria fazer o curso na Desirée, mas é muito caro, não tenho condições. Quem sabe agora dá certo''. Questionada sobre a pouca altura da garota, ela retrucou. ''Até os 16 anos ela ainda cresce, né?''
Mas nem todos os que engrossavam a fila sonhavam apenas com o glamour da mundo da moda. Havia, entre eles, quem visse a carreira como um meio, e não um fim. O personal trainer Daniel Pagnoncelli, 23 anos, 1,82m, fazia planos. ''Posso usar o trabalho de modelo, que tem vida curta, como um trampolim para a minha profissão. É um marketing pessoal'', argumentou.


