Uma boa pedida
ALAMEDA PRINCESA ISABEL
Eclético e com cerca de oito casas de pequeno e médio porte, a Princesa Isabel propõe espaços intimistas para uma clientela adulta e selecionada. Oferece diversidade culinária, de comida indiana, chinesa e mexicana a pizzas e massas. Somos precursores dessa rua. Depois que viemos para cá, o setor cresceu muito. Não sei se poderia definir a Princesa Isabel como um pólo, mas sim como um nicho gastronômico, opina Marco Dolabella, proprietário do Bar dos Passarinhos.
Inaugurada há sete anos, a petiscaria de frutos do mar dispõe de sete mesas e o atendimento é 90% feito com reserva. A maior casa da Princesa Isabel certamente é o Espaço Asiático, que comporta até 200 pessoas e serve pratos de nove cozinhas orientais diferentes.
Aqui já é uma área gastronômica e que está em crescimento. Tem restaurante com seis meses de funcionamento. Para nós é interessante que outros restaurantes se estabeleçam aqui, aumentam as opções e circulam mais pessoas, disse Jeetu Khemani, dono do Espaço Asiático.
ALTO DA RUA XV
Bares, restaurantes e bistrôs são caracterizados pela informalidade, estilo despojado e mais casual. Todos primam pelo atendimento amiúde, pela proximidade com a clientela, quase de casa. A gente apelidou o Alto da XV da Vila Madalena de Curitiba, porque lembra a simplicidade das casas do bairro paulistano, sem tanto salto alto, observa Délio Canabrava, dono da Cantina do Délio e da Banoffi Bistrot e Confeitaria, acrescentando que os negócios são beneficiados pela presença de muitas empresas no bairro. Nas duas casas circulam mais de 2 mil pessoas, por semana.
Da comidinha caseira e italiana caipira à pratos da culinária árabe, francesa, pizzarias e petiscos, as casas mais antigas são o Tartaruga e o Beto Batata. Ao invés de investir na sofisticação dos ambientes, focamos na matéria-prima, na comida e no atendimento. Aqui vem gente da cidade inteira, mas principalmente um público do meio cultural e universitários que procuram boa comida e têm a ousadia de experimentar coisas diferentes, define Robert Amorim, proprietário do Beto Batata.
Os donos de restaurantes moram no bairro, fazemos uma ocupação de cidadania, cuidamos das floreiras, desenvolvemos uma relação com o lugar e com todo mundo que vive aqui. Não fazemos uma gastronomia empresarial, mas orgânica. Veja que vendo sobremesas feitas pela esposa do Délio. Todos são amigos, temos uma história. Diria que temos mais o espírito do bairro carioca de Santa Tereza, disse Amorim.
AVENIDA IGUAÇU
O lugar tem alta concentração de restaurantes japoneses. Um dos primeiros foi o Kinoshita, criado há dez anos, estabelecimento onde hoje funciona o Yamato que atende a colônia japonesa de Curitiba, inclusive, o cônsul do Japão.
Comida japonesa está na moda, muitos bares colocaram sushi bar e até as churrascarias servem pratos da culinária. Acho interessante essa concorrência por ajudar a formar a opinião da clientela, que sabe apreciar a clássica comida japonesa, acredita Hisashi Nagato, dono do Yamato.
Boa parte das casas de comida japonesa trabalham com sistema de rodízio de sushi e sashimi, cujo precursor em Curitiba foi o dono do Taisho, Daniel Suzuki. Começamos com o rodízio há mais de oito anos. Acredito que ajudou a popularizar a comida japonesa, que tem custo alto, inclusive permitindo o acesso do público jovem. A pessoa paga um preço e come pratos quentes e frios à vontade explica Suzuki, acrescentando que a Iguaçu é um ótimo pólo gastronômico, tanto que o levou a inaugurar o Taisho II de frente para o antigo, para atender a crescente clientela.
DOM PEDRO II
Badaladíssima, concentra bares e restaurantes que caíram no gosto dos jovens. Uma cerveja bem gelada acompanha quase tudo que é servido por lá. O Mustang Sally apresenta a proposta de bar de fronteira com cardápio recheado de pratos típicos do México e dos Estados Unidos, vai desde nachos a hamburgueres bem servidos com fritas.
Já o Babilônia funciona 24 horas, atende todos os públicos e prepara basicamente tudo que possa saciar a fome. A casa oferece café-da-manhã, almoço executivo, pratos à la carte, sanduíches, frutos do mar, sopas, feijoada e comida oriental no Miss Saigon.
Curtinha, a alameda também é famosa por concentrar pizzarias conceituais que trabalham com métodos tradicionais no preparo das pizzas. Assim é a Piola, Carola e a Gepetto. Aqui trabalhamos com a alta gastronomia, nossos estabelecimentos têm sofisticação e modernidade. Das cinco melhores pizzarias da cidade, três estão aqui. Se fosse comparar com algum bairro de São Paulo, diria que aqui seria os Jardins de Curitiba, define Vanderlei Amor, dono da Gepetto La Pizzeria, que completa, em breve, dez anos de funcionamento.
MATEUS LEME
De tão antigo e firmado, o pólo de frutos do mar da Mateus Leme quase virou a Rua da Praia, se tivesse sido implantado um projeto da Prefeitura de Curitiba, que previa até calçadas com motivos marinhos na via, há cerca de 18 anos. Na época, o lugar oferecia 12 casas de frutos do mar, hoje, dispõe de meia dúzia. Bolinhos de camarão e bacalhau, casquinha de siri, espetinho de peixe, lula, marisco, lagosta, ostra na casca, patola de caranguejo e camarão pistola são delícias servidas nessa rua gastronômica.
Temos essa fama até no turismo, que traz os visitantes que querem apreciar frutos do mar. Estamos no caminho para atrativos turísticos como a Ópera de Arame, a Pedreira Paulo Leminski, dos parques Tingui, Tanguá e São Lourenço. Somos um referencial de frutos do mar, como Santa Felicidade é do frango com polenta, compara Nixon Fiori, dono do Rei do Camarão, criado há 30 anos. Segundo ele, 95% dos restaurantes de frutos do mar estão concentrados em três quadras da Mateus Leme, entre as ruas Brasilino Moura e Lívio Moreira.
RUA CHILE
Em ritmo de crescimento, a Rua Chile atrai olhares de empresários do setor pelo potencial gastronômico que apresenta. A variedade de estabelecimentos, cozinhas e propostas é grande. A via tem barzinhos, happy hour, pizzarias, churrascarias, comida árabe e cozinha espanhola e portuguesa.
Segundo a proprietária e chef do Bar Madrid, Nádia Bonatto, as casas da Rua Chile têm vida longa e clientela fiel, fruto do fluxo de carros e pessoas no local. Tanto movimento modificou o funcionamento das casas, que antes era só noturno, agora inicia na hora do almoço.
Uma dica são os dois restaurantes de comida ibérica da Rua Chile. A Mercearia do Português, um dos mais antigos da área, serve comida típica, assim como o Bar Madrid, criado há quatro anos. O espaço trabalha com a cozinha original espanhola, mais rústica. Serve pratos típicos, tapas (aperitivos), tortillas e camarão pistola, além de paellas.
Acredito que pela concentração de estabelecimentos, temos aqui a formação de um pólo ou centro gastronômico com uma tendência forte para variedade de cozinhas típicas de outros países, avalia Bonatto.





