Imagem ilustrativa da imagem Uma bebida para todas as ocasiões
| Foto: Marcos Zanutto



Para comemorar, para relaxar ou simplesmente para acompanhar um bom prato. Há tempos, o vinho deixou de ser bebida de ocasiões especiais. Quem decide se aprofundar no mundo dos vinhos e até mesmo os fãs antigos da bebida podem ter dúvidas sobre como obter o melhor do sabor, aromas e sensações da bebida. São tantas vinícolas, tantas uvas e tantos mitos que, muitas vezes, a preocupação com esses detalhes sobressaem ao prazer da degustação. Mas a sommelier Stella Mariano, que capitaneou uma noite de degustações do Festival Cozinha & Sabor, garante que o mundo do vinho é mais simples do que se imagina. Basta não ter medo de explorá-lo.

Para Stella, o erro mais comum dos brasileiros na hora de escolher um vinho é levar em consideração os critérios errados. "As pessoas levam em consideração o fundo da garrafa, o peso da garrafa, o rótulo, a caixa, o que diz o aplicativo, o que dita a moda. Mas não se importam em saber quem é o produtor, o que, seguramente, é o mais importante", pondera. Segundo ela, a credibilidade do produtor é sinal de qualidade e bom custo-benefício.

O preço também não tem relação com a qualidade, ao contrário do que a maioria das pessoas acredita. Stella garante que existem vinhos incríveis de baixo e médio custo. "Coligar qualidade ao preço, no caso dos vinhos, é um erro. Muitos vinho são caros porque são históricos, tradicionais, além de serem feitos dentro de legislações e territórios muito difíceis. Isso tem muito valor", explica a sommelier. Mas na maior parte da produção mundial de vinho, segundo ela, existem varietais e reservas de excelente qualidade, de fácil consumo e com um custo que cabe na maioria dos orçamentos.

HARMONIZAÇÃO
Talvez a parte que mais preocupe na hora de escolher um vinho seja a harmonização. E não é para menos: segundo Stella, são várias as regras para uma perfeita harmonização. "Para pratos gordurosos, devemos ter um vinho com uma boa quantidade de taninos. Para sobremesas, devemos harmonizar por concordância, ou seja, o vinho também deve ser doce", ensina. A sommelier, no entanto, lembra que no mundo da enogastronomia ousar e quebrar regras é sempre muito bem-vindo, com uma única ressalva. "A estrutura do vinho e do prato devem sempre ser levadas em consideração. Para pratos muito estruturados, vinhos muito estruturados. Seguindo essa ponderação, não tem erro", garante.

E para quem acha que vinho só vai bem com pompa e circunstância, Stella traz uma novidade: o vinho pode harmonizar com qualquer tipo de comida, inclusive a de boteco. "Que tal um bolinho de carne com um carmenère? Um bolinho de bacalhau com um verde português? Eu adoraria apreciar uma bela porção de torresmo com um bom espumante brut, ou um bolinho de cabotiá e carne seca com um chardonnay", exemplifica. Se for um dia quente, os fresquíssimos brancos, roses e espumantes são a melhor pedida, segundo ela. "Esses, aliás, harmonizam super bem com os pratos mais leves do verão", acrescenta a sommelier.

UVAS
Os vinhos mais consumidos pelos brasileiros são os chilenos e os argentinos, que empregam as chamadas uvas internacionais francesas na fabricação de seus vinhos. Cabernet sauvignon, malbec, carmenère, merlot, sirah, pinot noir são as tintas mais utilizadas. Dentre as brancas, chardonnay e sauvignon blanc são as preferidas. "A cabernet sauvignon tem bons taninos. Já a carmenère é mais delicada e encanta com sua versatilidade de harmonização. A malbec tem taninos aveludados e é mais densa, já a merlot é mais robusta, com notas de frutas vermelhas. A sirah tem poucos taninos, é delicada e tem boa acidez, assim como a pinot noir, que tem acidez precisa, é elegante, pouco tânica, com ligeiras notas de tabaco e cacau. A chardonnay é amanteigada e macia, com notas de baunilha e a sauvignon blanc tem ótima acidez", ensina.

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