Curitiba – Quando for concluída, a licitação do Sistema Integrado de Processamento e Aproveitamento de Resíduos (Sipar) do Consórcio Intermunicipal de Gestão de Resíduos Sólidos de Curitiba e Região Metropolitana deverá resultar no que promete ser o sistema mais moderno de tratamento de lixo do estado.
  O edital da licitação não determinou a tecnologia a ser aplicada, mas estabeleceu que apenas 15% dos resíduos coletados podem ser encaminhados para aterro. O restante terá que ser reaproveitado. Entre as possibilidades está a venda de material para queima e a produção de compostos orgânicos (adubos).
  ‘‘A proposta vencedora será a que melhor conseguir apontar a viabilidade econômica e ambiental da destinação desses materiais’’, explica Mariuza Dias, secretária executiva do Consórcio. Segundo Mariuza, a ideia do consórcio foi estipular o uso de tecnologias complementares. ‘‘É um sistema que se compõe para melhor tratar os resíduos’’, aponta.
  A previsão é que o material com potencial calorífico seja vendido como combustível para olarias e outras indústrias que dependem da geração de calor. O restante irá virar adubo, será vendido como material reciclável ou terá como destinação final o aterro. ‘‘A empresa terá que processar 100% do lixo, ou seja, separar, analisar e destinar de acordo com suas características’’, explica.
  Uma vez contratada, a empresa vencedora da licitação terá seis anos de prazo para implantar o sistema. ‘‘A previsão é que a operação comece com o aterro e depois vá incorporando novos sistemas’’, diz. O cronograma de implantação, no entanto, pode ser mais rápido. ‘‘Entre as propostas abertas, apenas uma especifica um período de seis anos para a instalação. As demais têm prazo máximo de um ano e meio’’, adianta.
  Atualmente Curitiba e os 16 municípios que compõem o consórcio produzem 2.040 toneladas de lixo por dia, volume que tem o aterro como destino final. Só em Curitiba há coleta seletiva, que responde por 21% do lixo da capital.
  Segundo Mariuza, após a conclusão da licitação a empresa vencedora terá quatro meses para dar início ao trabalho. O prazo curto deverá correr junto com o processo de desativação do Aterro da Caximba, cujo encerramento está previsto para janeiro de 2010. ‘‘Estamos pedindo a prorrogação para dezembro para podermos fazer a reconformação geométrica do aterro e poder encerrá-lo’’, explica.
Desafio
  A destinação final do lixo é uma equação complexa, cheia de variáveis. De um lado, está a questão econômica. Por outro, os problemas ambientais gerados pelas alternativas existentes. Para a engenheira química e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Maria Cristina Borba Braga, as opções de tratamento de resíduos são muitas. ‘‘O que varia é o custo de cada alternativa e o que se quer fazer com esse lixo’’, explica.
  ‘‘Independentemente da tecnologia utilizada, o aterro tem que existir’’, afirma. Isso porque no lixo doméstico há sempre uma parcela de material que não terá potencial de aproveitamento. ‘‘Mesmo quando o lixo é incinerado, há um resíduo, que é a cinza, e que precisa ser enterrado’’, alerta.
  Para Cristina, a destinação
do lixo para aterros controlados pode ser uma solução interessante. ‘‘Quando bem projetado, ele pode
ser uma solução adequada
e com menos impacto
ambiental’’, diz.

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