No momento em que fecha o semáforo do cruzamento das ruas Barão do Cerro Azul e Treze de Maio, no centro de Curitiba, começa o show de Paulo Henrique Dalmolin, 18 anos. Com uma fantasia vermelha e o rosto maquiado, seu público é formado por motoristas e pedestres. O tempo é curto. Em apenas 35 segundos, três claves coloridas vão para o alto, descem, passam por baixo das pernas, trocam de mãos, em movimentos cada vez mais difíceis. As técnicas ele aprendeu desde cedo. Filho de artistas, praticamente nasceu dentro do circo, no interior de São Paulo. Viveu lá até 2004, quando a mãe morreu. O pai então resolveu deixar o circo, mas Paulo quis continuar com a profissão. O destino foi a capital paranaense. Sem outras oportunidades de trabalho, foi nas esquinas que encontrou espaço para mostrar a sua arte. ''Tem motorista que não gosta, faz cara feia. Aí fico meio chateado. Mas quando aplaudem, é um sentimento que não dá pra explicar'', revela.
A jornada nos semáforos dura de quatro a cinco horas, em horários de grande movimento. Quando chove, não dá pra trabalhar. Nos outros dias, o sol forte castiga. O dinheiro, em torno de R$ 35 a R$ 40, serve para comer e pagar a pensão onde mora. ''Minha vida é a arte, eu amo isso. Enquanto não aparecer outra coisa, continuo a tentar a sorte nas esquinas'', conta.
A origem de Paulo é diferente de outros ''colegas de trabalho''. Caso do artesão argentino Gustavo Fabian Rodriguez, de 25 anos. Vindo de Buenos Aires há oito meses, ele pretende voltar para casa após o verão. As técnicas de malabarismo ele aprendeu durante a viagem, feita com amigos artistas. ''Achei bastante interessante e resolvi aprender, só não imaginei que seria praticamente meu único sustento'', analisa. Usando três bolinhas, Gustavo já chegou a faturar R$ 90 em apenas um dia. ''É difícil dar tanto assim, mas às vezes acontece''. E além do dinheiro, o trabalho de Gustavo já rendeu convites para eventos. ''Uma escola me chamou para uma festa de fim de ano'', comemora o artista, que agora pretende investir mais na carreira.
Quem também sonha em encontrar uma profissão artística é o estudante Eduardo (nome fictício), de 17 anos. Já aprovado para o terceiro ano do ensino médio, resolveu aproveitar as férias ''quebrando um galho'' com o malabarismo. ''Vi os amigos fazendo e fiquei com vontade de aprender'', conta. Nas mãos, três bastões chineses, comprados por R$ 5,00. Mantê-los no ar exige equilíbrio. E muito treino. ''Precisa praticar e ter força de vontade para aprender e depois criatividade para pensar em novas técnicas'', explica o garoto, que só depois de três meses ensaiando em casa decidiu mostrar os truques nas ruas.
E o que os motoristas pensam? ''Não acho que seja um espetáculo. O povo dá dinheiro mais por sensibilidade, mesmo'', analisa o taxista Carlos dos Santos. Opinião diferente do motorista de caminhão Luis Carlos Oliveira, que às vezes contribui. ''A rotina do trânsito é estressante e quando há essas apresentações a gente alivia um pouco, relaxa''. A estudante Rita Pagge também defende, mas não gosta quando encontra crianças muito pequenas nos sinais. ''Quando tem criança com laranja, implorando por dinheiro, acho triste'', critica. O advogado Ruben Mathias diz que não gosta, mas defende a permanência dos artistas nas ruas. ''Poderiam estar fazendo coisas erradas, mas estão buscando o sustento deles'', analisa.

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