A fisioterapeuta Priscila Moletta (foto de cima), que tem projeto de criação de um centro de equoterapia em Curitiba, e um de seus pacientes, Mauro Cunha. Foto de baixo, Mauro com a mãe, Zeila: ‘‘ele teve uma recuperação incrível’’.



Duas vezes por semana, no meio da tarde, Mauro Cunha, 28 anos, vai até a Sociedade Hípica para cumprir uma rotina que já dura cinco anos. Veste as roupas apropriadas, busca nas cocheiras o puro sangue inglês Fly e, até o fim dos 40 minutos que duram a aula, faz o animal trotar, contornar cones e saltar alguns obstáculos. O que poderia parecer para muitos uma atividade corriqueira, representa uma grande vitória para Mauro. Ele é um dos pacientes que vem conseguindo uma grande melhora com a equoterapia, método terapêutico que emprega a equitação no tratamento de deficientes físicos e mentais. Vítima de complicações no parto que lhe trouxeram sérias limitações, desenvolveu, com a equoterapia, uma movimentação melhor e teve outros benefícios (leia ao lado).
Na antiguidade, muito antes da era cristã, a equitação já era empregada no tratamento de pacientes com sequelas de diversas doenças. Mais tarde, com o fim da Segunda Guerra Mundial, ganhou força na Europa, como forma de recuperação e reeducação dos soldados feridos em combate. A equoterapia contou nas últimas décadas com um grande desenvolvimento no velho continente, onde existem centros especializados com mais de 50 anos de funcionamento.
Ela pode ajudar portadores de síndrome de Down, altismo, paralisia cerebral, paraplégicos, tetraplégicos e pessoas que sofrem com sequelas de doenças como meningite e poliomielite. Crianças a partir dos 3 anos e adultos podem ser atendidas pela técnica, desde que estejam como o coração em ordem - a emoção faz parte deste esporte.
No Brasil, a equoterapia é relativamente nova - o primeiro curso foi realizado há seis anos -, mas Curitiba vai ganhar ainda este ano um centro especializado. A idéia de construir o centro é um projeto conjunto da Federação Paranaense de Hipismo e da fisioterapeuta Priscila Moletta, que trabalha com a equoterapia há seis anos, ministrando aulas na Sociedade Hípica, um dos poucos locais na cidade que oferece esta terapia.
Cuidando dos cavalos, os pacientes se sentem mais úteis e responsáveis, o que representa outra vantagem da terapia
‘‘Queremos tornar a terapia mais conhecida e acessível, criando um centro de excelência em Curitiba’’, diz Luiz Fernando Albuquerque, presidente da Federação. ‘‘A escola, com capacidade inicial para até 60 alunos, incluindo alguns bolsistas que não possam pagar, deve estar concluída em oito meses. Já conseguimos a área por meio da ajuda de um empresário, mas ainda buscamos mais apoios’’.
A uma primeira vista, pode parecer difícil de compreender de que forma cavalgar e realizar exercícios especiais em cima de uma sela pode ajudar na recuperação de deficientes físicos e mentais. Mas os benefícios são muitos e surpreendentes.
‘‘O cavalo tem um movimento tridimensional (para frente e para trás; para os lados; para cima e para baixo) que é transmitido ao corpo dos pacientes, trazendo uma grande mobilização de quadril e estimulando os músculos internos. Esse movimento faz o paciente relaxar a postura, deixando-a mais solta e correta, e melhora a coordenação motora e o equilíbrio’’, ensina a equoterapeuta Priscila Poletta. ‘‘Além disso, a equitação por si só já é um excelente exercício, pois trabalha todo o corpo e se iguala, em perda de calorias, a uma aula de aeróbica’’.
As vantagens não param por aí. ‘‘O contato com os cavalos faz os pacientes terem a necessidade de se expressar, contar suas emoções. Isto já ajudou crianças e adultos que não falavam a procurar a comunicação com outras pessoas’’, prossegue a equoterapeuta. ‘‘Por outro lado, é uma terapia que os pacientes fazem sem sentir, por ser ao ar livre e não numa clínica’’.
Serviço - Sociedade Hípica (Fone: 266-6644) / mensalidade R$ 140,00. A escola de equitação Horsemanship (fone: 367-4794) também oferece equoterapia, com mesalidade de R$ 135,00.

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