'Um prego do rodo riscou a minha cabeça'
A Chácara Quatro Pinheiros, de Mandirituba (Região Metropolitana de Curitiba), acolhe meninos com idade entre 7 e 17 anos em situação de risco. Segundo o coordenador da entidade, Fernando Francisco de Góes, a maioria dos jovens é de Curitiba.
Ele explica que entre os meninos atendidos são comuns histórias de vida em que a violência parece ter tornado impossível a perspectiva de um futuro melhor. ''Muitos fogem de casa, vão para a rua para se livrar da violência doméstica, aí ficam à mercê da violência da sociedade, da polícia, deles mesmos. A maioria carrega marcas da violência'', afirma Góes.
Marcelo (nome fictício), de 14 anos, está na chácara há seis meses. Ele morava em Santa Catarina com a mãe, mas fugiu porque apanhava com frequência. ''Tenho marca na perna porque minha mãe me bateu com um fio elétrico. Teve uma vez em que ela pegou o rodo, bateu em mim e um prego do rodo riscou a minha cabeça'', conta o adolescente.
Marcelo relata que, de bicicleta e depois de carona, fugiu. Veio morar com a avó e a tia em Curitiba. Foi encaminhado para o Conselho Tutelar e depois para a Chácara Quatro Pinheiros após ser ameaçado de morte devido a uma confusão relacionada a um roubo. ''Aqui na chácara estou melhor. Estou estudando. Gostaria de ser professor ou de fazer mountain bike, disputar corrida. Queria dar aulas de Ciências, acho uma matéria 'massa''', diz o jovem.
Eduardo (também nome fictício), de 17 anos, veio de Paranaguá para Curitiba depois que o pai morreu, em 2003. Na capital, foi morar com a tia. ''O problema é que meu tio bebia, brigava com todo mundo. Nunca bateu em mim, mas ficava agressivo. Aí decidi ir para a rua. Eu pedia dinheiro, às vezes roubava. Na rua, apanhei muito, na maioria das vezes de policiais'', explica Eduardo. (F.G.)





