Um pioneiro da comunicação
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sábado, 08 de agosto de 2009
Fernando Rocha Faro Reportagem Local 
A história de um dos fundadores da FOLHA na imprensa teve início casual
Ano de 1947. Aos 24 anos, o filho de agricultores João Milanez decidiu deixar Santa Catarina para, como ele próprio diz, correr o mundo. O destino, como o da maioria dos brasileiros na época, foi São Paulo. Com experiência como carpinteiro e marceneiro, ele decidiu tentar a vida na maior cidade do País, que estava no auge do desenvolvimento. E foi na capital paulista, que um encontro casual, proporcionou a vinda de Milanez para Londrina, cidade que escolheu para viver e onde ajudou a criar o órgão de imprensa que confunde-se com a própria história do catarinense de Meleiro.
Antes da chegada ao Norte do Paraná, ele enfrentou tempo difíceis em São Paulo. Vivendo de bicos nas inúmeras obras da cidade, Milanez hospedava-se em pensões e pequenos hotéis. Foi em uma dessas pequenas hospedagens que ocorreu o encontro que possibilitou a vinda para Londrina. Em um hotel próximo à Estação da Luz, João Milanez foi convidado por um morador londrinense para vender títulos de capitalização na Região Norte do Paraná. Nesta entrevista - última concedida à FOLHA - Milanez não lembrava mais do nome do homem que o trouxe à cidade que escolheu para viver, crescer profissionalmente e fazer história.
Quando cheguei, a primeira coisa que fiz foi aprender como se diz título de capitalização em japonês, para vender para os colonos, relembrava. Após algum tempo em Londrina, João Milanez recebeu do advogado Correia Neto, colega da Pensão Luz, na Rua Benjamin Constant, o convite para participar do lançamento de um jornal na cidade, que contava então com apenas 17 mil habitantes. A primeira reação de Milanez foi negar. Correia Neto, no entanto, não deixou alternativa. É você, até porque não tem mais ningúem em Londrina. Amanhã, vai sair o seu nome no cabeçalho do jornal. No dia seguinte, vi meu nome como diretor-gerente. Então tive de assumir o jornal.
A primeira edição da Folha de Londrina circulou em 13 de novembro de 1948 e foi impressa na gráfica do Paraná Jornal, já extinto. Para compor a Folha de Londrina a mão, Correia Neto pediu que Milanez fosse a São Paulo comprar tipos. A compra foi feita a prazo. O dinheiro para o pagamento foi levantado através de uma edição especial. Entreguei todo o dinheiro para ele pagar a dívida, mas ele gastou tudo. A atitude de Correia Neto causou, no dizer de Milanez, não uma briga, mas um pequeno atrito e ambos decidiram desfazer a sociedade.
O advogado ofereceu vender sua parte para Milanez, que na época questionou: Que parte?. Os tipos não tinham sido pagos, não tinha sede, não tinha nada. Então comprei a parte dele com uma caneta Schaffer. Passei a ser diretor-proprietário, relembrava. Como precisava vender assinaturas para poder comercializar anúncios para o jornal, durante um ano inteiro percorreu de Santo Antonio da Platina a Paranavaí oferecendo assinaturas casa por casa. Foram 4.700 assinaturas em um ano. Ele saía na segunda-feira de ônibus e voltava apenas na sexta-feira, com os papéis das assinaturas nos bolsos.
As reportagens eram colhidas pelo próprio Milanez nas andanças para venda de assinaturas e anúncios pela região. Pagava, adiantado, salienta, para o advogado Moacir Arcoverde escrever o jornal para mim. Eram duas páginas de matéria e o restante de anúncios. Sempre soube de tudo que acontecia em Londrina e região e transportava as notícias para dentro do jornal.
Espelhada no exemplo do jornal Estado de S. Paulo, a FOLHA DE LONDRINA dedicava a primeira página apenas para as notícias internacionais, recolhidas via telex pelo alemão Herbert Mozer, que falava com fluência oito idiomas. Todo sábado, Milanez ajudava pessoalmente na distribuição do jornal, que na época ainda era semanal. Olha o Pasquim, gritava o dedicadíssimo dono pelas ruas de terra da cidade.
Aos poucos, Milanez foi montando a estrutura do que chegou a ser o décimo jornal mais importante do País. Máquinas foram compradas, redatores e jornalistas, contratados, e o periódico, modernizado.
A FOLHA DE LONDRINA, inclusive, foi o segundo jornal do País a ter impressora off-set, após somente
a Folha de S. Paulo.
Para Milanez, uma prova do prestígio alcançado pelo jornal foi a cobertura da visita de Getúlio Vargas à cidade. A FOLHA DE LONDRINA foi o principal órgão de mídia na cobertura do histórico comício eleitoral do então candidato na Praça Rocha Pombo. Vargas saiu vitorioso nas eleições para o cargo mais importante do País. Acompanhei o presidente em toda a visita, inclusive no palanque da campanha,
orgulhava-se Milanez.


