Para entender uma região metropolitana, é preciso pensá-la como uma grande cidade, onde os municípios são os bairros e a capital é o centro. A idéia é que cada parte some forças com o grupo para resolver problemas que são comuns a todos. Em alguns destes ''bairros'', por exemplo, existe forte vocação industrial, em outros está o potencial de abastecer seus vizinhos com água potável, um se encarrega de receber o lixo e todos discutem juntos qual as melhores saídas para o transporte, que até o momento não integra todas as localidades. Segundo o diretor Técnico da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), Joel Ramalho, ''é um organismo que pretende resolver os problemas de um município, mas que não dependem só dele.'', exemplifica.
A conta é simples. A capital Curitiba depende da água que vem de seus vizinhos. Alguns desses municípios, por sua vez, utilizam o aterro sanitário da Caximba, na capital, para encaminhar seu lixo e usam o sistema integrado de transporte para que seus habitantes se desloquem maiores distâncias pagando tarifas menores. Dessa forma, não parece tão estranho que seja estratégico para Curitiba investir no saneamento da vizinha Piraquara, de onde vem parte da água que consome.
Para que essa equação faça sentido, é preciso admitir que alguns municípios têm vocações diferente de outros. Se por um lado a cidade de Araucária, localizada a Sudoeste de Curitiba, tem um parque industrial desenvolvido, o mesmo não poderia ocorrer com Campina Grande do Sul, que abriga grandes áreas de manancial e portanto só poderia comportar empreendimentos menos poluentes. São essas diferenças que alimentam a sinergia que faz de uma região metropolitana uma união vantajosa para todas as partes. ''Não é simples, é preciso muita conversa e muito entendimento'', diz Ramalho sobre a busca desse denominador comum.
A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) foi estabelecida pela Lei Complementear Federal nº 14/1973, junto com as regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, Belém e Fortaleza. Em sua versão inicial, ela era formada por 14 municípios: Curitiba, Almirante Tamandaré, Araucária, Bocaiúva do Sul, Campo Largo, Colombo, Contenda, Piraquara, São José dos Pinhais, Rio Branco do Sul, Campina Grande do Sul, Quatro Barras, Mandirituba e Balsa Nova.
Na década de 90, esse quadro sofreu uma alteração com o desmembramento de alguns municípios. Fazenda Rio Grande desmembrou-se de Mandirituba, Tunas do Paraná de Bocaiúva do Sul, Itaperuçu de Rio Branco do Sul e Pinhais desmembrou-se de Piraquara. Dessa forma o número de cidades participantes passou de 14 para 18, mas os limites do território metropolitano continuaram os mesmos.
Em 1994 houve uma expansão geográfica da RMC onde foram incluídos os municípios de Cerro Azul, Doutor Ulysses (desmembrado de Cerro Azul), Quitandinha e Tijucas do Sul. No ano seguinte foi a vez das cidades de Adrianópolis, Campo Magro (desmembrado de Almirante Tamandaré), Agudos do Sul (desmembrado de Tijucas do Sul), e por fim, já no ano de 2002, a Lapa.
Assim, a região que começou com 14 municípios, hoje tem 26, muitos deles bastante distantes do núcleo original, como Doutor Ulysses, localizado a 163 quilômetros ao Norte de Curitiba e Agudos do Sul, a 67 quilômetros. Ramalho, que foi coordenador geral da Comec nos anos 80, quando a região contava apenas 14 membros, estranha a adesão de municípios tão distantes e questiona as reais vantagens destes casos. ''Acho que eles (os municípios mais afastados) não têm vantagem nenhuma. Nem sempre é a questão de fazer uma região metropolitana gigantesca'', avalia.

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