Eles chamam atenção pela coloração forte e metálica, e pelo voo, particularmente diferenciado. São de pequeno porte: medem de 5 a 22 centímetros e pesam de 2 a 6 gramas. Habitam toda a América, do Alasca à Terra do Fogo. São polinizadores por excelência: somente no Sul do Brasil, pelo menos 200 espécies de árvores dependem exclusivamente deles; caso deixassem de existir, parte significativa da nossa flora estaria comprometida. E são, além de tudo, um espetáculo para os olhos.
Acossados cada vez mais pelo desmatamento, que tira deles a fonte de alimento, os beija-flores têm um oásis particular no Norte do Paraná. Em um terreno de dois mil metros quadrados em Rolândia, onde mora desde a década de 70, o aposentado José Francisco Haydu cultiva inúmeras espécies de árvores e arbustos especialmente para eles. São russélias, eritrinas, camarões e cítricos em geral, cuja florada atrai os beija-flores, que Haydu observa com encantamento e fotografa com paixão.
São mais de 10 mil fotos, clicadas por Haydu em seu jardim ou onde quer que tenha estado nos últimos 20 anos – sítios e fazendas de amigos ou nos arredores de cidades litorâneas. Quando a família viaja em férias, preferencialmente para Ubatuba-SP, a rotina é quase sempre a mesma: enquanto mulher e filhos vão para a praia, Haydu embrenha-se no mato, com o equipamento a tiracolo, em busca de imagens de seu pássaro favorito.
Resultado: um invejável arquivo de fotografias – muitas delas arquivadas ainda naqueles negativos de antigamente – que retratam o comportamento de muitas espécies de beija-flores existentes no Brasil. "Fotografei espécies que nem biólogos aqui da região conheciam", diz ele. "No Brasil, há cerca de 150 espécies e subespécies. Pelo menos 20 delas frequentam o meu quintal."
Filho de um sapateiro húngaro e de uma iugoslava que vieram para o Brasil fugindo da guerra, José Francisco Haydu se aproximou dos beija-flores desde a época em que desenvolveu o hobby pela fotografia, ainda quando trabalhava como técnico em telecomunicações na extinta Telepar. O material fotográfico deve virar um livro, para o qual Haydu busca parcerias.

Hobby
Ele conta que o hobby em fotografar beija-flores nasceu de outro. Haydu colecionava bougainvilleas, as populares primaveras, que emolduravam os muros laterais da casa. Chegou a ter, plantadas, 68 variedades de diferentes cores, oriundas de vários países, que ele foi comprando, ganhando ou trocando com conhecidos como Celso Garcia Cid, Burle Marx e a família Imagawa.
As flores das primaveras atraíam os beija-flores, mas não os seguravam no jardim. "São coloridas e atraentes, porém não têm o néctar de que eles precisam", afirma Haydu, que então, "com pesar", trocou a vistosa coleção de bougainvilleas – que chegou a ser considerada a maior do mundo, por uma revista especializada – por espécies com flores tubulares, mais adequadas à língua bifurcada e extensível dos beija-flores.
"Eles precisam de néctar com 15 a 25% de açúcar na composição", informa Haydu. "O carboidrato do néctar representa 95% da dieta dos beija-flores. Os 5% restantes são proteínas que vêm de minúsculos insetos que vivem dentro das flores."
Além de todas as flores disponíveis no terreno de Haydu, os beija-flores têm à disposição seis bebedouros pendurados na varanda, com água e açúcar. A mistura é trocada diariamente para que não fermente e crie fungos que possam atacar o sistema imunológico das aves mais idosas.
Os beija-flores vivem, em média, seis anos. Seus principais predadores são os gaviões e eles próprios, que brigam por território. Mais lentos, os mais velhos perdem a condição de competir com os mais jovens pelas fontes de alimentos. Outro inimigo é o homem, responsável pelo desmatamento. Não é o caso do aposentado José Francisco Haydu, que os tem como grandes amigos.

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