Ainda experimentando os primeiros anos da reabertura política no País, ocorrida cinco anos antes, os eleitores voltaram às urnas em 1990 para escolher governadores, senadores e deputados dessa nova democracia. Novos líderes surgiram naquele momento, carregando os anseios da população por mudanças na administração pública. Enquanto a disputa pelo governo do Paraná era polarizada por Roberto Requião (PMDB) e José Carlos Martinez (PSC), com a vitória do peemedebista, depois do episódio conhecido como "Ferreirinha" - Requião apresentou no programa de TV um falso pistoleiro que agiria a mando de Martinez –, a concorrência pela vaga no Senado elevou um novato na política.
"Nós temos que escolher as pessoas certas em quem nós vamos votar. Todos nós estamos frustrados, estamos brabos, estamos aborrecidos com os políticos. Todos nós estamos cansados de esperar por dias melhores. E por isso que eu estou entrando na política." Com essa frase, o empresário José Eduardo de Andrade Vieira iniciou um de seus discursos naquela vitoriosa corrida eleitoral pela vaga no Senado pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Embora tivesse começado a campanha atrás dos demais candidatos, com apenas 5% das intenções de votos, conforme as pesquisas eleitorais, o "banqueiro rebelde", de acordo com pesquisa feita pela professora Luciana Panke, em seu trabalho de mestrado, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), conquistou a confiança dos paranaenses e cravou 1.036.787 votos (41,9%).
A rebeldia, segundo a pesquisa de Luciana se justificava porque como presidente do Bamerindus, "em 86 quebrou o cartel dos bancos, que até então só tomavam iniciativas conjuntas por meio da Febraban, lançando a primeira conta remunerada do país". No trabalho que analisa o discurso político do candidato Zé do Chapéu, a professora também cita de passagem "um regime de parceria com os empregados, que passaram a participar das tomadas de decisões das empresas do grupo Bamerindus". "Em maio de 89, liderou o movimento Retorno à Produção que paralisou por uma hora o comércio e a indústria do Estado. De acordo com seus assessores, foi o maior movimento de empresários e trabalhadores já registrado na história contemporânea do Paraná."
O inseparável chapéu aparecia na abertura do programa eleitoral na TV, sobrevoando regiões conhecidas pelos paranaenses até pousar no Congresso Nacional. "O chapéu é o símbolo do trabalhador do campo. E o homem que trabalha de sol a sol, às vezes na chuva que usa o chapéu para se proteger", defendia.
Segundo o assistente administrativo do PTB no Paraná, Sandro Carvalho, que trabalha no Diretório estadual desde 1991, o ex-senador foi presidente nacional da sigla (de 1994 a 1999) e contribuiu para o crescimento do partido. "Na época o PTB teve muita pujança, Zé Eduardo nunca obstaculizou o surgimento de novos políticos."
Eleito senador, foi autor de propostas sempre voltadas aos trabalhadores. Era o primeiro ano de Fernando Collor (PRN) no poder, depois de vencer a disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 1989. Viveu um dos cenários políticos mais conturbados do País, com o impeachment de Collor, em 1992. Passada a turbulência, era preciso recomeçar e a atuação no parlamento rendeu a José Eduardo o convite do presidente Itamar Franco, também do PTB, para o comando do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo. Naquele mandato de Itamar, o paranaense acumulou, ainda, o Ministério da Agricultura, Abastecimento e Reforma Agrária até 1993. Dois anos depois, já no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), José Eduardo voltou a ser ministro da Agricultura, até 1996.
Ainda como ministro do governo tucano, o paranaense chegou a ser cogitado para a disputar a Presidência da República.


Imagem ilustrativa da imagem Um novo líder na retomada da democracia
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