Um novo leitor - João Arruda
Um novo leitor
João Arruda
Desde que o projeto Cidadania foi lançado, os jornalistas da Folha se depararam com uma situação diferente e instigante. Ao longo de sua história, o jornal sempre circulou pelas casas, apartamentos, escritórios, repartições, bancas, igrejas e palácios, mas até então não tinha tido uma presença tão forte e definitiva nas salas de aula como a propiciada por esta parceria com empresas e prefeituras. Uma vez por semana, as escolas recebem exemplares do jornal, que são distribuídos aos alunos e se transformam a partir daí em um importante instrumento de atividade pedagógica.
Ao entrar nas escolas por esta via, o jornal acabou por ganhar um novo leitor e também uma responsabilidade ainda maior com a ética e a qualidade da informação. A Folha tem hoje suas páginas vasculhadas minuciosamente pelos olhos mais críticos que a imprensa possa ter os olhos das crianças, sempre prontos para questionar tudo e colocar diante de cada notícia lida a pergunta vital, a mesma que um jornalista deve se fazer sempre: por quê?
Ser questionado por uma criança pode se transformar numa experiência única. E talvez esteja aqui a parceria mais produtiva do projeto. Escolas são templos de formação e de informação. Ali, aprende-se a história, a gramática, a matemática e eis a pergunta por que não a realidade cotidiana, a mesma que está logo ali, além-muro e é espelhada pelo jornal?
Ao utilizar a Folha como material didático, as escolas abrem espaço para um novo modelo de aprendizado em sala de aula, fazendo brincadeiras ou falando de coisas sérias, e proporcionam uma forte interação entre o veículo, alunos e professores, cidadãos formados ou em formação, todos nós todos , sempre prontos para aprender algo mais.
O jornal em sala de aula, como nesta experiência do Cidadania, parece ganhar outra dimensão, quase uma solenidade quando visto assim, aberto em cima de cada carteira. Passeando pelas páginas, os alunos mais parecem pequenos exploradores, mergulhados em uma nova aventura e num terreno para muitos deles , até então inacessível.
Experiências como esta, levado a cabo no âmbito estadual, também servem para ilustrar o grau de responsabilidade da imprensa brasileira com as novas gerações, o novo cidadão e o novo eleitor, num país carente de leitura e em que o acesso ao conhecimento ainda é um barreira intransponível para boa parte da população.
Jornais relatam os fatos em setores diversos, da economia à política, do entretenimento à agricultura, da sociedade ao abandono, mas sobretudo contam histórias. Ao frequentar a sala de aula, a Folha certamente dá uma importante contribuição para um novo capítulo da cidadania paranaense, ainda mais nestes tempos em que século e milênio batem à porta e cobram de todos ações concretas rumo ao futuro.
João Arruda é diretor de Redação da Folha de Londrina/Folha do Paraná





