Um momento decisivo
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sábado, 10 de dezembro de 2011
Silvana Leão <br> <br> Reportagem Local <br> 
Como estará Londrina em 2020? São questões que preocupam a população. Mais ainda os urbanistas, para quem a cidade vive um momento decisivo para a implementação de ações de planejamento que tenham começo, meio e fim e que não corram o risco de interrupção a cada mudança de governo.
A preocupação é pertinente. Dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que cidades de porte médio como Londrina - que atraem investimentos, têm variedade de serviços, mercado de trabalho atraente e qualidade de vida - serão os principais polos de convergência populacional desta década.
''Não dá mais para adiar. Precisamos seguir o exemplo de Curitiba e outras grandes cidades, que ao atingir a marca dos 500 mil habitantes começaram a pensar, a partir de critérios técnicos e bem definidos, seu crescimento'', defende o arquiteto e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Eduardo Suzuki. Ele ressalta que é preciso um órgão de planejamento com corpo técnico qualificado e profissionais para atender às demandas da cidade agregadora da região Norte.
O grande volume de veículos nas ruas é um dos gargalos. O major reformado Sérgio Dalben, especialista em trânsito, lembra que a frota já é de quase um carro por pessoa, considerando a população maior de 18 anos e em idade produtiva. No total, são 307 mil carros para pouco mais de 500 mil habitantes. Conforme a taxa atual crescimento, a frota dobrará de tamanho em 10 anos. ''As ruas não foram projetadas para um tráfego tão intenso e as soluções não são tão simples. Não dá para alargar as vias a todo momento.''
Para Dalben, as saídas menos onerosas são ações educativas, incentivo a transportes alternativos e o uso racional do carro particular. Ele defende também a exigência do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) em todo empreendimento com potencial de gerar tráfego.
Suzuki complementa que o caminho para evitar o agravamento dos problemas passa por: investimentos no transporte de massa; valorização dos pedestres; leis que otimizem a ocupação do solo. ''Londrina tem tudo para ser uma ótima cidade, mantendo e até melhorando a atual qualidade vida. É preciso que a sociedade se mobilize em torno deste objetivo e que o Poder Público queira isso.''


