Se tivesse vivido no século XIII, ele poderia ter sido companheiro de Marco Polo em alucinantes viagens pelo Oriente. Se vivesse atualmente, talvez fosse uma espécie de ''Indiana Jones'' atrás de aventuras nos confins do Planeta. Mas na Inglaterra imperialista do início do século XX, Lord Lovat foi um expedicionário que definia a si próprio como ''um homem que tinha olhos e era capaz de usá-los''.
Conforme Renato Leão Rego, o nobre escocês de origem tradicionalíssima - a história da família remonta ao século XI - viu as oportunidades surgirem diante de si e não titubeou em aproveitá-las, por mais que parecessem inatingíveis. As pesquisas do arquiteto apontam que, aos 18 anos, Lovat partiu para África onde passou seis meses caçando elefantes.
Também montou uma coleção de pássaros (90 espécies) que figura atualmente no Museu de História Natural de Londres. Como membro do Exército Britânico e da Guarda Real, passou outros dois anos no continente africano, comandando um regimento criado por ele próprio e que existe até hoje. Ainda na África, fundou uma empresa de colonização bastante semelhante à que criou em 1924 no Norte do Paraná.
E os erros que cometeu do outro lado do Atlântico não foram repetidos aqui. ''Ele dizia que o problema de lá havia sido a posição remota das cidades e da falta de ferrovia e logo tratou de corrigir aqui. Tanto que um dos pontos positivos da colonização do Norte é que era um investimento privado, que detinha o domínio da companhia de terras e da ferrovia'', observa. Seu entusiasmo com o empreendimento foi tamanho que em 1931, Lovat, então com 60 anos, trouxe para visitar a região o príncipe de Gales, que cinco anos mais tarde seria coroado como Rei Edward VIII. (L.A.)

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