No seu sétimo ano, o Festival Internacional de Hip-Hop contou com a participação de 1,2 mil bailarinos, grupos de todo o Brasil – Manaus (AM), São Luis (MA), Rio de Janeiro (RJ), Canoas (RS), entre outros – e da Argentina, Chile, Uruguai e Venezuela. Na casa lotada durante os quatro dias de festival na Ópera de Arame, após grande atraso para o início das apresentações, um público exigente aplaudia pouco.
  Para Octavio Nassur, coreógrafo e organizador do evento, a idéia é vender alegria e mostrar a cultura de forma positiva. ‘‘O público, inclusive vários pais de bailarinos, vê uma estrutura grande, com uma iluminação fantástica e organização impecável e começa a mudar o conceito do hip-hop como cultura inferior. Mas, apesar de o evento crescer a cada ano e ter conseguido uma boa imagem, ainda não contamos com nenhum patrocinador’’, explica.
  Mesmo recebendo elogios de grande parte dos envolvidos com a dança de rua nacional, Nassur conta que é criticado por alguns membros da comunidade hip-hop. ‘‘Me questionam por eu não dar tanto espaço para os outros elementos do hip-hop (o grafite, o MC – master of cerimonies ou cantor de Rap –, e o DJ – disc-jockey). Eu abro espaço para essas expressões da arte também, mas o meu foco é a dança, e uma dança de qualidade’’,
comenta.
  Nassur, indicado ao prêmio de melhor coreógrafo no Festival de Dança de Joinville deste ano, acredita que faz sua parte social. ‘‘Os grupos mais carentes ou organizações não-governamentais (ONG) que nos procuraram puderam se apresentar no festival sem custo. Também demos curso gratuito para alunos do Sesi
e da Fundação Cultural de
Curitiba.’’
  Para Nassur, não adianta ficar ensinando um menino na favela durante um ano para depois ele não ter onde trabalhar ou mostrar sua arte. ‘‘Fazemos trabalhos com os professores das escolas do subúrbio e até o ano passado cobrávamos como entrada 1kg de alimento, depois doado à Fundação de Ação Social da prefeitura. Nosso trabalho social é maior do que se imagina, mas não fazemos um marketing em cima disso’’, desabafa. (M.R.M.)

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